
Nos Estados Unidos, um tema tem chamado atenção na pecuária de corte: o aumento consistente no peso das carcaças. Em 2024 e 2025, por exemplo, foram registrados saltos expressivos — acima de 9 kg e 11 kg por animal, respectivamente.
Diante disso, uma explicação comum entre produtores é direta: “as vacas estão maiores, logo as carcaças também”.
Mas a realidade é mais complexa — e muito mais interessante.
Dados da pecuária norte-americana mostram que o peso das vacas vem aumentando há décadas. Nos últimos 60 anos, o ganho médio foi de cerca de 3,5 kg por ano no peso corporal das matrizes.
Já o peso das carcaças evoluiu em ritmo menor: aproximadamente 2,2 kg por ano.
Ou seja, embora exista relação entre vacas maiores e carcaças mais pesadas, essa conexão é bem mais limitada do que muitos imaginam.
Um dado importante ajuda a entender isso: para cada 1 kg a mais no peso da vaca, o aumento na carcaça é de apenas 0,14 kg. Isso mostra que aumentar o tamanho das matrizes não é, necessariamente, a forma mais eficiente de produzir mais carne.
Quando analisamos a eficiência produtiva, o avanço foi gradual.
Na década de 1960, bovinos nos EUA produziam cerca de 27 kg de carcaça para cada 45 kg de peso vivo da vaca. Hoje, esse número gira em torno de 31 kg para cada 45 kg — um avanço de apenas cerca de 4 kg ao longo de mais de seis décadas.
Isso reforça um ponto importante: o aumento no peso das carcaças não pode ser explicado apenas pelo tamanho dos animais.
Se não são só as vacas maiores, então o que está puxando esse crescimento?
Diversos fatores têm papel decisivo:
Nos EUA, por exemplo, a oferta mais restrita de animais e os descontos relativamente pequenos para carcaças mais pesadas têm incentivado os confinamentos a prolongar o período de engorda.
Apesar dos aumentos recentes chamarem atenção, eles não são inéditos. A série histórica mostra que saltos semelhantes já ocorreram em outros momentos, como em 1994, 1998, 2002, 2006, 2012, 2015 e 2020.
Ou seja, esses “picos” fazem parte de um padrão de longo prazo, e não de uma mudança isolada.
O principal recado é claro: aumentar o tamanho das vacas não é a forma mais eficiente de produzir mais carne.
Embora vacas maiores tendam a gerar carcaças mais pesadas, esse efeito é limitado — e pode vir acompanhado de custos maiores de manutenção, exigência nutricional e menor eficiência.
O ganho real de produtividade está em outro lugar: genética, nutrição, manejo e estratégia de mercado.
Fonte: Drovers, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.