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Cargill se mostra otimista, mas não foca aquisições

Apesar dos efeitos da crise internacional no setor de carnes, provocando redução de preços no mercado internacional, a Cargill parece otimista com a atividade e o diretor da unidade de negócios carnes Brasil da empresa, Robert van der Zee afirma "o negócio carne é fundamental dentro da estratégia da Cargill, a confiança no segmento e no país continuam". Quando perguntado sobre a entrada da multinacional no mercado de bovinos ele responde, "no longo prazo faz sentido investir em boi", mas este não é o melhor momento.

Entre as grandes do setor de abate de aves e suínos, a Cargill foi a única que não concedeu férias coletivas recentemente e que não teve de reduzir o abate de aves para driblar estoques elevados, um reflexo da crise financeira internacional. Ao contrário, a empresa registra aumento nos abates de aves, e pretende investir na construção de uma nova fábrica de processados de frango, focada na exportação.

Além disso, a Cargill, que entrou em carnes de aves e suínos no país em 2004, com a compra da Seara, tem ganhado participação no mercado doméstico, principalmente em cortes de frango, e aumentou seu portfólio. “Com a saída de empresas [em dificuldades financeiras] do mercado, estamos ganhando espaço”, afirma Robert van der Zee, diretor da unidade de negócios carnes Brasil da Cargill.

Apesar de relativamente otimista, Zee admite que a crise internacional deixará sua marca. Ele estima que a receita da unidade de carnes da Cargill vai crescer pouco em dólar em 2009 – foram US$ 1,5 bilhão em 2008 e a previsão é US$ 1,6 bilhão este ano. A razão é a queda dos preços no mercado internacional – na divisão brasileira da Cargill, as exportações respondem por 70% da receita total. Em reais, a previsão é alcançar um faturamento de R$ 3,7 bilhões este ano, quase 20% mais do que os R$ 3,1 bilhões de 2008, quando a receita já tinha sido 35% superior à de 2007.

Os últimos passos e planos da Cargill indicam estratégias de longo prazo para o Brasil, já que no futuro próximo o comportamento da demanda ainda é incerto. “O negócio carne é fundamental dentro da estratégia da Cargill, a confiança no segmento e no país continuam”, afirma van der Zee.

O diretor admite que “a Cargill está sempre atenta a oportunidades”. Observa, porém, que não adianta “comprar para aumentar volume, é preciso ver como está o balanço da empresa” que será comprada.

A “maior oferta” de ativos no segmento de bovinos por causa da crise também não parece seduzir a Cargill, que atuou no setor no país até o fim dos anos 80. “No longo prazo faz sentido investir em boi”, mas este não é o melhor momento, afirma. Taxativo, o executivo diz que “ativamente [a Cargill] não vai buscar investir em carne bovina nos próximos 12 meses”, a não ser que haja uma oferta atrativa. “Ave é mais foco que bovino hoje”.

Com 21,8 mil funcionários e cerca de 3 mil integrados no Brasil, a Cargill atua também em frango na Tailândia, Inglaterra, França, Canadá. Tem produção de peru e suínos nos EUA e bovinos nos EUA, Argentina, Austrália e Canadá.

A matéria é de Alda do Amaral Rocha, publicada no jornal Valor Econômico, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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