
O mercado global de carne bovina entra em 2026 sob um cenário de menor oferta, maior volatilidade e reposicionamento estratégico dos grandes exportadores. De acordo com o Global Animal Protein Outlook 2026, do Rabobank, a carne bovina será a proteína animal com maior contração de produção no mundo no próximo ano, em contraste com o avanço de aves e aquacultura. Esse movimento tende a sustentar preços elevados e reforçar o papel do Brasil como principal fornecedor global, mesmo em meio à virada do ciclo pecuário interno.
Após seis anos consecutivos de crescimento, 2026 marcará a primeira retração da produção global de proteínas terrestres, com a carne bovina liderando essa queda. A redução será puxada principalmente por:
Com isso, o Rabobank projeta um aperto estrutural da oferta global de carne bovina, o que mantém pressão altista sobre os preços, especialmente nos mercados importadores tradicionais.
Na América do Norte, o cenário é claro: menos oferta e preços historicamente altos. O rebanho de vacas de corte nos EUA caiu por seis anos consecutivos, e embora haja sinais iniciais de retenção de novilhas, a recuperação será lenta.
Esse conjunto de fatores consolida a carne bovina como proteína premium no mercado norte-americano.
Na União Europeia, a produção de carne bovina deve se estabilizar, enquanto o Reino Unido segue em leve retração. O bloco enfrenta:
Com isso, a UE tende a manter forte demanda por carne importada, beneficiando exportadores do Mercosul, mesmo que o impacto inicial do acordo UE–Mercosul em 2026 seja considerado moderado.
A China, hoje responsável por cerca de 30% do consumo de carne bovina via importações, entra em uma fase de ajuste. Após dois anos de liquidação de rebanho, a produção doméstica deve cair levemente em 2026.
O relatório aponta que:
Mesmo assim, a China permanece como principal destino da carne bovina brasileira, absorvendo mais da metade das exportações do país.
O Brasil entra em 2026 em um momento estratégico. Após quatro anos de crescimento da produção, o país inicia a fase de retenção de fêmeas, sinalizando a virada do ciclo pecuário.
O Rabobank projeta que a produção brasileira de carne bovina caia entre 5% e 6% em 2026, atingindo cerca de 10,5 milhões de toneladas, reflexo direto da retenção de animais para recomposição do rebanho.
Mesmo com menor produção, o Brasil deve alcançar um novo recorde de exportações, estimado em 4,4 milhões de toneladas, consolidando-se como:
Esse desempenho é sustentado por:
A consequência desse cenário é uma queda no consumo doméstico, estimada entre 8% e 9%, com os consumidores migrando para proteínas mais acessíveis, como frango e suíno — tendência comum em toda a América Latina.
Ainda assim, o relatório destaca que eventos pontuais, como a Copa do Mundo de Clubes e o ciclo eleitoral brasileiro em 2026, podem gerar estímulos temporários ao consumo.
Com a combinação de:
o Rabobank projeta que os preços da carne bovina permaneçam elevados ao longo de 2026, com menor volatilidade do que em ciclos anteriores, mas sem espaço para quedas significativas no curto prazo.
A carne bovina tende a:
O ano de 2026 marca um ponto de inflexão para a carne bovina global. Em um mundo com menos oferta, mais riscos sanitários, pressão regulatória e consumidores sensíveis a preço, o Brasil surge como peça-chave do equilíbrio global, mesmo produzindo menos.
Para produtores, indústrias e formuladores de estratégia, o recado do Rabobank é claro: não se trata apenas de produzir mais, mas de produzir melhor, acessar mercados e gerenciar ciclos em um ambiente cada vez mais volátil.
Fonte: Rabobank, traduzido e adaptado pela Equipe BeefPoint.