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19 de janeiro de 2026

Carne bovina em 2026: oferta global mais apertada, preços sustentados e Brasil no centro do jogo

O mercado global de carne bovina entra em 2026 sob um cenário de menor oferta, maior volatilidade e reposicionamento estratégico dos grandes exportadores. De acordo com o Global Animal Protein Outlook 2026, do Rabobank, a carne bovina será a proteína animal com maior contração de produção no mundo no próximo ano, em contraste com o avanço de aves e aquacultura. Esse movimento tende a sustentar preços elevados e reforçar o papel do Brasil como principal fornecedor global, mesmo em meio à virada do ciclo pecuário interno.

Panorama global: menos carne bovina no mundo

Após seis anos consecutivos de crescimento, 2026 marcará a primeira retração da produção global de proteínas terrestres, com a carne bovina liderando essa queda. A redução será puxada principalmente por:

  • Estados Unidos e Canadá, ainda em fase de reconstrução do rebanho após anos de liquidação;
  • Brasil, que inicia uma reversão do ciclo pecuário, com maior retenção de fêmeas;
  • China, que encerra um período de liquidação de rebanho bovino e passa a produzir menos carne.

Com isso, o Rabobank projeta um aperto estrutural da oferta global de carne bovina, o que mantém pressão altista sobre os preços, especialmente nos mercados importadores tradicionais.

Estados Unidos: menos carne, preços recordes

Na América do Norte, o cenário é claro: menos oferta e preços historicamente altos. O rebanho de vacas de corte nos EUA caiu por seis anos consecutivos, e embora haja sinais iniciais de retenção de novilhas, a recuperação será lenta.

  • A produção de carne bovina nos EUA já atingiu o pico em 2022 e segue em trajetória de queda.
  • O consumo interno permanece resiliente, mesmo com preços elevados.
  • As importações aumentaram em 2025 para compensar a falta de produto, mas tendem a se estabilizar em 2026.
  • As exportações norte-americanas caem, abrindo espaço para fornecedores como Brasil, Austrália e Nova Zelândia.

Esse conjunto de fatores consolida a carne bovina como proteína premium no mercado norte-americano.

Europa: oferta curta e dependência de importações

Na União Europeia, a produção de carne bovina deve se estabilizar, enquanto o Reino Unido segue em leve retração. O bloco enfrenta:

  • Redução estrutural do rebanho;
  • Pressões ambientais e regulatórias;
  • Limitações para ampliar a produção no curto prazo.

Com isso, a UE tende a manter forte demanda por carne importada, beneficiando exportadores do Mercosul, mesmo que o impacto inicial do acordo UE–Mercosul em 2026 seja considerado moderado.

China: produção em queda e importações mais seletivas

A China, hoje responsável por cerca de 30% do consumo de carne bovina via importações, entra em uma fase de ajuste. Após dois anos de liquidação de rebanho, a produção doméstica deve cair levemente em 2026.

O relatório aponta que:

  • Os preços internos devem subir;
  • O consumo no varejo segue resiliente;
  • As importações devem recuar entre 2% e 3%, não por falta de demanda, mas por restrição de oferta global e preços mais altos.

Mesmo assim, a China permanece como principal destino da carne bovina brasileira, absorvendo mais da metade das exportações do país.

Brasil: menor produção, exportações recordes

O Brasil entra em 2026 em um momento estratégico. Após quatro anos de crescimento da produção, o país inicia a fase de retenção de fêmeas, sinalizando a virada do ciclo pecuário.

Produção em queda…

O Rabobank projeta que a produção brasileira de carne bovina caia entre 5% e 6% em 2026, atingindo cerca de 10,5 milhões de toneladas, reflexo direto da retenção de animais para recomposição do rebanho.

…mas exportações em alta

Mesmo com menor produção, o Brasil deve alcançar um novo recorde de exportações, estimado em 4,4 milhões de toneladas, consolidando-se como:

  • Maior exportador mundial de carne bovina;
  • Principal fornecedor da China;
  • Alternativa estratégica para mercados com oferta limitada, como EUA e Europa.

Esse desempenho é sustentado por:

  • Demanda global firme;
  • Câmbio favorável;
  • Menor concorrência internacional, especialmente dos EUA.

Mercado interno pressionado

A consequência desse cenário é uma queda no consumo doméstico, estimada entre 8% e 9%, com os consumidores migrando para proteínas mais acessíveis, como frango e suíno — tendência comum em toda a América Latina.

Ainda assim, o relatório destaca que eventos pontuais, como a Copa do Mundo de Clubes e o ciclo eleitoral brasileiro em 2026, podem gerar estímulos temporários ao consumo.

O que esperar do preço da carne bovina em 2026?

Com a combinação de:

  • Oferta global mais curta,
  • Produção em queda nos principais polos,
  • Demanda internacional ainda sólida,

o Rabobank projeta que os preços da carne bovina permaneçam elevados ao longo de 2026, com menor volatilidade do que em ciclos anteriores, mas sem espaço para quedas significativas no curto prazo.

A carne bovina tende a:

  • Continuar perdendo espaço no consumo de massa;
  • Reforçar sua posição como proteína de maior valor;
  • Depender cada vez mais de eficiência produtiva, gestão de risco e acesso a mercados.

Conclusão

O ano de 2026 marca um ponto de inflexão para a carne bovina global. Em um mundo com menos oferta, mais riscos sanitários, pressão regulatória e consumidores sensíveis a preço, o Brasil surge como peça-chave do equilíbrio global, mesmo produzindo menos.

Para produtores, indústrias e formuladores de estratégia, o recado do Rabobank é claro: não se trata apenas de produzir mais, mas de produzir melhor, acessar mercados e gerenciar ciclos em um ambiente cada vez mais volátil.

Fonte: Rabobank, traduzido e adaptado pela Equipe BeefPoint.

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