
A multinacional brasileira MBRF — resultado da fusão entre Marfrig e BRF — terminou 2025 alcançando 100% de rastreabilidade dos bovinos provenientes de fornecedores diretos e indiretos em todos os biomas do Brasil. A meta inicial era chegar nesse patamar em 2030, mas foi antecipada para 2025.
“Hoje, a gente já opera com rastreabilidade da origem até o abate, ou seja, desde o nascimento do animal até o momento em que esse animal chega até a nossa planta produtiva. A meta foi totalmente atingida para 2025, 100% da nossa cadeia rastreada, diretos e indiretos, em todos os biomas brasileiros”, destacou ao Agro Estadão o diretor de sustentabilidade da MBRF, Paulo Pianez.
Com o monitoramento em toda a cadeia de bovinos, o passo seguinte que a companhia pretende dar é a adesão dos produtores ao Protocolo de Carne de Baixo Carbono (CBC). A metodologia foi criada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com a MBRF e lançada durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30).
Esse protocolo atesta que a carne de determinada propriedade seguiu alguns critérios de sustentabilidade e emite menos gases do efeito estufa durante a produção. A parceria prevê ainda que a MBRF possa utilizar o selo de Carne de Baixo Carbono nos produtos. Além disso, a companhia vai pagar um bônus aos produtores que conseguirem a certificação. A expectativa é de que, até o final do primeiro semestre deste ano, esses cortes com o selo já apareçam nas gôndolas dos supermercados.
Pianez explica que, de certa maneira, os bovinos abatidos pela empresa já são de baixo carbono, uma vez que práticas sustentáveis, como integração lavoura-pecuária e melhoria genética para abate mais cedo, já são feitas. Ele comenta ainda a diminuição da idade média de abate dos animais, que passou 35 meses em 2019 para 29 meses em 2024, sendo que houve um aumento de 17% no rendimento da carcaça.
“Quando você aplica o protocolo, nada mais é do que você pegar segmentos de produtores que já aplicam isso e que podem aplicar o protocolo baixo carbono. Ele [produtor] vai fazer algumas adaptações, ele vai se submeter a um processo de verificação e aí, obviamente, ele vai passar por uma certificação atestada por terceiros. Então, aquele animal vai produzir uma carne que vai levar um selo, o que não significa dizer que as outras carnes também não são de baixo carbono, mas essa tem uma identificação, um atestado. Além disso, ela traz um protocolo de qualidade, que faz com que esses sejam cortes de melhor qualidade”, acrescentou o diretor, ao falar que devem ser produtos premium.
O executivo da multinacional também comentou sobre as exigências ambientais crescentes nos mercados internacionais, como a lei antidesmatamento (EUDR, na sigla em inglês). Apesar do adiamento da entrada em vigor — que passou para o final de 2026 -, Pianez aponta que a MBRF está preparada para atender aos requisitos da legislação da União Europeia.
“Independentemente disso [adiamento], a companhia está pronta para atender o protocolo, para atender a legislação. Então, do nosso ponto de vista, o que a gente vem fazendo é que toda a nossa operação ou todas as nossas práticas operacionais hoje já atendem a todo e qualquer protocolo internacional voltado para esse tema”, completou.
Quanto a um cenário futuro, o diretor de sustentabilidade indica que, por “experiência”, a tendência é de que tanto o mercado interno como o externo passem a adotar regras de sustentabilidade mais exigentes. “O consumidor, cada vez mais, tem dado atenção a esse tipo de coisa, seja relacionado a bem-estar animal, seja relacionado às questões sociais, seja relacionado às questões ambientais”, acrescentou Pianez.
Por isso, na visão dele, a “barra vai ficar mais alta” e as empresas que quiserem se manter no mercado terão que se adequar a isso. Segundo o diretor, a tática da MBRF é se antecipar: ”Quando sai uma regulação nova ou quando sai algum tipo de exigência, a estratégia da companhia é estar pronta já para atender”.
Fonte: Estadão.