Nelore Faccan realiza 1º leilão próprio
19 de dezembro de 2005
Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal
19 de dezembro de 2005

Comércio exterior de Goiás merece atenção

O crescimento econômico sustentável e simétrico do País está diretamente relacionado a uma melhor distribuição da participação dos estados da Federação no comércio exterior.

Historicamente, os Estados de São Paulo e Minas Gerais respondiam juntos por metade das trocas comerciais realizadas pelo Brasil. O Estado de São Paulo chegou a ter 37% das exportações e 48% das importações totais do País. Minas Gerais respondia por 15% das vendas externas e 7% das importações.

Em que pese os dois Estados ainda permaneçam na liderança do comércio exterior brasileiro, verifica-se uma mudança importante no que tange a diminuição da distância – ainda que limitada – entre os estados e no eixo exportador e importador brasileiro.

No que se refere ao Estado de Goiás, há dados relevantes, que merecem especial atenção para uma melhor visão sobre a atual posição do Estado em relação ao restante do País. A análise desses dados deve se dar com cautela para que se garanta um julgamento criterioso sobre o tema.

No ranking de onde se instalam as principais empresas exportadoras e importadoras, o Estado de Goiás se situa nas posições de 15o e 120, respectivamente. Vale ressaltar, entretanto, que Goiás ocupa a 8o colocação quando se trata do número de novas empresas exportadoras.

Mais importante, ainda, é ressaltar e reconhecer o avanço do Estado na relação daqueles que mais avançaram em suas importações. Goiás aumentou sua participação nas trocas comercias com outros países em 66%, entre os anos de 2003 e 2004.

A posição de 3o lugar na liderança dos que mais avançaram nesse período merece especial atenção, pois o comércio internacional é uma via de mão dupla, ou seja, quanto mais o Estado se internacionalizar e aumentar suas relações internacionais, mais as suas exportações tenderão a seguir a mesma trajetória.

No entanto, o Estado de Goiás ainda se situa atrás dos Estados que mais ganharam participação no comércio exterior brasileiro, entre 1993 e 2004, ficando à margem de Estados como Paraná, Mato Grosso e Rio de Janeiro, nas exportações, e Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul, nas importações.

É importante que se verifiquem os entraves ao comércio exterior do Estado e que se responda uma questão fundamental: qual a razão do pequeno e concentrado desenvolvimento do comércio exterior no Estado de Goiás?

Outros dados que não poderia deixar de registrar são os de que o Estado de Goiás ocupa a 11o posição no ranking dos estados que mais exportam e 13o no ranking das importações. A variação das exportações entre 2003 e 2004 foi positiva em 28%. No entanto, o Estado responde por somente 1,4% do total das exportações brasileiras.

Os Municípios que mais se destacam nas exportações do Estado de Goiás são em ordem de participação: Itumbiara (21%); Goiatuba (12,5%); Goiânia (7,4%); Rio Verde (3,8%). Luziânia e Anápolis figuram nas 11o e 12o posições de maiores Municípios exportadores e com 1%, cada, na participação do total.

Cabe registrar que o Estado de Goiás, ainda, é extremamente dependente do setor primário para a manutenção da sua economia. É fácil perceber isso quando se verifica que, dos quinze principais produtos exportados pelo Estado, doze são provenientes do agronegócio. No total das exportações do Estado a soja representa 52%, carne bovina 12,5%, aves 5,7%, couros 2,9%, carne suína 2,1%, algodão 1,9%, alimentos 1,2%, milho 1,2%, leite 1%, açúcar 0,8%, têxteis 0,6% e peixes e crustáceos 0,4%. Ou seja, 81% das exportações goianas são provenientes do agronegócio.

A evolução do volume das exportações de Goiás – considerando a sua participação no comércio exterior desde o ano de 1993 a 2004 – não demonstrou grande avanço, uma vez que registrou um tímido aumento de 0,6% para 1,4% do total Brasil, ao longo do período.

Considero que o aumento da capacidade exportadora do Estado de Goiás, em que pese alguns bons números apresentados, ainda está aquém da sua capacidade e dos benefícios amplamente reconhecidos e aceitos que essa atividade poderia trazer para o Estado.

Em função das informações apresentadas, fica o questionamento sobre as razões pelas quais as exportações de Goiás tiveram um comportamento tão tímido. Deve-se analisar aonde o modelo vem falhando, em relação e comparação aos demais estados da Federação e a suas próprias necessidades de maior asserção competitiva.

É preciso que uma reflexão a respeito dessa situação considere claramente e identifique as restrições existentes, ao planejar-se iniciativas de base para o desenvolvimento de um programa de incentivos.

Falta ao Estado de Goiás, a meu ver, a adoção de políticas institucionais e a sua aplicação adequada com vistas a atingir, com sucesso, os objetivos desejados, como investimento básico em ciência e tecnologia, melhoria do ensino básico ao superior e da infra-estrutura básica para o desenvolvimento dos negócios privados.

Comments are closed.