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26 de março de 2026

Concorrência com o Brasil ganha peso e preocupa mercado australiano de carne bovina

A crescente presença do Brasil no mercado global de carne bovina tem se consolidado como um dos principais fatores de atenção para a Austrália em 2026, especialmente nos seus mercados mais estratégicos.

Esse foi um dos principais pontos destacados em uma recente entrevista do portal Beef Central com os gerentes regionais da Meat & Livestock Australia (MLA) para China, América do Norte e Japão/Coreia, realizada durante uma visita a Brisbane. A análise reflete o ponto de vista da indústria australiana sobre o cenário atual e as perspectivas de concorrência internacional.

Brasil amplia presença global e pressiona mercados

Na avaliação dos representantes da MLA, o avanço do Brasil no mercado internacional já é uma realidade concreta e crescente.

O país sul-americano tem ampliado sua atuação global, especialmente após conquistar, em junho do ano passado, o reconhecimento como livre de febre aftosa sem vacinação em todo o território — um marco sanitário que fortalece sua posição competitiva.

O Brasil já atua como fornecedor relevante de carne bovina para mercados-chave como China e Estados Unidos, competindo diretamente com a Austrália nesses destinos.

No entanto, assim como a Austrália, o Brasil também enfrenta restrições no acesso ao mercado chinês em 2026 devido à implementação de medidas de salvaguarda. Essas medidas devem limitar o volume exportado e obrigar o país a redirecionar cerca de 400 mil toneladas de carne que, em condições normais, seriam destinadas à China.

Esse volume adicional em busca de novos destinos tende a intensificar a concorrência global, sem uma definição clara, até o momento, de quais mercados irão absorver essa oferta.

Possível entrada do Brasil em mercados premium preocupa

Um dos pontos de maior atenção para a Austrália é a possibilidade de o Brasil obter acesso, no curto prazo, a dois dos mercados mais importantes e de maior valor para a carne australiana: Japão e Coreia do Sul.

Segundo o gerente regional da MLA para Japão e Coreia, Travis Brown, já ocorreram discussões recentes entre governos, incluindo inspeções de autoridades japonesas em plantas frigoríficas brasileiras.

A percepção no mercado, segundo ele, é de que o acesso brasileiro “provavelmente irá acontecer”, embora ainda haja incerteza sobre o formato e o momento dessa abertura.

Caso se confirme, esse movimento representaria uma mudança significativa no equilíbrio competitivo, uma vez que Japão e Coreia são mercados historicamente dominados pela Austrália e caracterizados por maior valor agregado.

Austrália reconhece aumento da concorrência, mas destaca diferenciais

Apesar do avanço brasileiro, os representantes da MLA demonstraram confiança na capacidade da Austrália de se manter competitiva.

Entre os principais pontos destacados estão:

  • A existência de acordos tarifários preferenciais com o Japão, que podem impor tarifas mais altas à carne brasileira, caso o acesso seja liberado
  • A construção de relações comerciais de longo prazo, especialmente no Japão, onde múltiplas gerações de consumidores cresceram consumindo carne australiana
  • A reputação consolidada da Austrália em qualidade, segurança alimentar e sistemas de produção confiáveis

Segundo os representantes, esses fatores continuam sendo altamente valorizados pelos compradores internacionais e funcionam como diferenciais frente à concorrência sul-americana.

Competição global deve se intensificar

Na visão da indústria australiana, a concorrência com o Brasil tende a se intensificar nos próximos anos, impulsionada tanto pelo aumento da oferta brasileira quanto pela busca por novos mercados.

A necessidade de redirecionamento de grandes volumes de carne, somada à possível abertura de mercados premium, coloca o Brasil como um competidor ainda mais relevante no cenário global.

Ainda assim, a avaliação da MLA é de que a Austrália permanece bem posicionada, com capacidade de competir em diferentes segmentos e manter sua relevância nos principais mercados internacionais.

O cenário, no entanto, exige atenção: a disputa por espaço no mercado global de carne bovina está mais acirrada — e o Brasil é, cada vez mais, um protagonista central nesse movimento.

Fonte: Beef Central, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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