
Em um dos momentos mais baixos do atual ciclo pecuário nos Estados Unidos, a Five Rivers Cattle Feeding está apostando em uma estratégia diferente: abrir parte de seus confinamentos para um programa de desenvolvimento de novilhas de reposição. A iniciativa busca, ao mesmo tempo, ocupar baias ociosas e ajudar pecuaristas a formar mais fêmeas para reconstrução do rebanho de vacas.
O movimento acontece em um cenário de forte restrição na oferta de gado. O relatório Cattle on Feed de janeiro mostrou que as novilhas já representam 38,7% do total de animais em confinamento, o maior nível do último ano. Segundo Derrell Peel, especialista em mercados pecuários da Universidade Estadual de Oklahoma, esse número indica que, apesar da participação elevada de fêmeas, a retenção de novilhas ainda é limitada.
De acordo com Peel, as baixas taxas de descarte permitiram que produtores vendessem mais novilhas nos últimos três anos, mas a partir de agora será necessário reter mais fêmeas apenas para manter o nível atual de produção de bezerros. Novos dados oficiais sobre o rebanho, incluindo o número de novilhas de reposição, devem ser divulgados pelo USDA no fim de janeiro.
Apesar dos preços elevados do gado, a expansão do rebanho enfrenta diversos obstáculos. A seca prolongada continua limitando a disponibilidade de pastagens em regiões-chave. Além disso, juros altos, custos elevados de capital e o receio de uma nova correção de mercado, como a ocorrida após 2014, mantêm os produtores mais cautelosos.
Outro fator relevante é a falta de estrutura e mão de obra em muitas propriedades, o que dificulta manter e desenvolver novilhas dentro do próprio sistema produtivo.
Para atender esse gargalo, a Five Rivers estruturou um programa de desenvolvimento de novilhas em três de suas unidades:
Segundo Kim Rounds, gerente da empresa, a proposta surgiu tanto das condições de mercado quanto de uma visão de responsabilidade com o setor.
“Estamos no ponto mais baixo do ciclo pecuário e temos espaço ocioso nas baias. Operamos como um hotel: quanto mais cheios, melhor. E hoje simplesmente não há gado suficiente disponível no mercado”, explica.
O programa pode ser adaptado conforme a necessidade de cada produtor, desde pacotes básicos até soluções completas. Entre os serviços principais estão:
Serviços opcionais incluem:
As baias são flexíveis, podendo acomodar desde lotes de 50 a 100 animais até milhares de cabeças, dependendo do perfil do cliente.
Além do desenvolvimento de novilhas, a Five Rivers vê o programa como uma forma de aproximar produtores do conceito de retenção de propriedade.
“Para quem sempre teve curiosidade de manter animais em confinamento, essa é uma forma segura de experimentar”, diz Rounds. Caso o produtor decida não ficar com determinadas novilhas, a empresa se compromete a comprá-las e destiná-las ao sistema de engorda.
Rounds reconhece que entregar animais para terceiros envolve risco emocional e financeiro, mas destaca que a empresa possui equipes especializadas exclusivamente em nutrição, sanidade, manejo, manutenção de instalações e acompanhamento de desempenho.
Segundo a Five Rivers, as duas maiores preocupações dos pecuaristas são:
A empresa afirma que o primeiro ponto é mitigado por dietas específicas para fêmeas, diferentes das usadas para animais de terminação. Já em relação ao custo, a Five Rivers diz que seus valores de diária são competitivos e, em muitos casos, equivalentes ou inferiores ao custo de manter novilhas nas próprias fazendas durante o inverno.
Em um momento em que a reconstrução do rebanho norte-americano é inevitável, mas lenta, o programa da Five Rivers surge como uma alternativa prática para produtores que desejam reter fêmeas sem ampliar estrutura, mão de obra ou investimento próprio.
A proposta combina eficiência operacional, ocupação de capacidade ociosa e visão de longo prazo, ajudando a criar as bases para a próxima fase de crescimento da pecuária de corte nos Estados Unidos.
Fonte: Drovers, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.