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Conflito no Oriente Médio expõe dependência brasileira de fertilizantes importados

O conflito no Oriente Médio reacendeu o alerta sobre a dependência brasileira de fertilizantes importados. O país compra no exterior cerca de 85% dos nutrientes utilizados na agricultura, segundo a Embrapa, o que deixa o agronegócio vulnerável a crises geopolíticas e oscilações no mercado internacional.

Desde o início do ano, o preço do contrato futuro da ureia CFR (custo e frete) Brasil que vence em abril acumula alta de 36%, alcançando US$ 573 por tonelada na semana passada.

Os preços do produto já vinham subindo em razão de outros fatores, como a restrição de exportações da China, o maior produtor mundial, a guerra na Ucrânia e a forte demanda indiana. Nos últimos 12 meses, as cotações já subiram 73%.

No caso do potássio, o Brasil produz menos de 1% da oferta global, ao mesmo tempo em que é o maior importador, respondendo por 22% da demanda global. Cerca de 98% do potássio utilizado no Brasil vem das importações.

Um fator agravante é que cerca de 48% da oferta global atual de potássio está localizada em países em conflito como Rússia, Israel e Belarus, segundo a CRU Group.

No segmento de fertilizantes fosfatados, a dependência externa também é elevada. Cerca de 78% do consumo brasileiro é atendido por importações, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

Em 2022, após a eclosão da guerra da Ucrânia, o Brasil despertou para a importância do tema e lançou o Plano Nacional de Fertilizantes.

Em janeiro deste ano, a Petrobras retomou a produção de nitrogenados no Nordeste. A capacidade de produção é calculada em 3,1 mil toneladas de ureia por dia, o que corresponde a 12% do mercado nacional. Já o Projeto Autazes, da Potássio do Brasil, prevê a exploração do nutriente no Amazonas.

“Estamos vendo alguns avanços, a Petrobras está retornando ao setor de nitrogenados, então isso pode ser uma opção viável. Não conseguimos suprir toda a nossa demanda, mas em momentos como esse, em que o preço internacional fica muito caro, podemos ter algum incentivo para que essa indústria cresça e para fornecer alguns volumes internamente e aliviar um pouco esse cenário de dependência”, resume Maísa Romanello, analista de fertilizantes da Safras & Mercado.

Desafios relacionados à disponibilidade de matérias-primas, mão de obra e infraestrutura acabam comprometendo a competitividade da indústria nacional. Gisele Augusto, responsável por precificação de fertilizantes da consultoria Argus, reconhece que há uma movimentação grande no mercado brasileiro, no sentido de reduzir sua dependência externa. Mas acredita que, em meio ao conflito no Irã, não será fácil encontrar maneiras de suprir essa demanda.

“Por exemplo, no caso do cloreto a gente depende de mina. Não importa o conflito que tenha, a gente não vai conseguir gerar uma mina no Brasil. No caso do fósforo você vai continuar dependendo da matéria-prima, tem que ter reserva, um acesso à matéria-prima muito bom, novas fábricas. E na questão do nitrogênio é a disponibilidade do gás natural. A grande incógnita para todo mundo é como vai ser a precificação do gás natural”, adverte.

Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, salienta que, mesmo atingindo a capacidade plena que a Petrobras sugeriu, o Brasil ainda assim seria dependente do mercado internacional. “Mas é um avanço no sentido de suprir parte da demanda brasileira com uma oferta doméstica”, completa.

Fonte: Globo Rural.

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