

A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, no último sábado, deve trazer ganhos moderados para as exportações brasileiras de carne bovina. A avaliação é da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que projeta um crescimento anual de cerca de 5% nos embarques ao bloco europeu, após a entrada em vigor do tratado.
Segundo a entidade, o avanço tende a ser limitado pelas medidas de salvaguarda impostas pela União Europeia, que funcionarão como uma trava para as importações que avançarem mais de 5%. “É positivo [o acordo], amplia oportunidades e capilariza mercados, mas não é um acordo solucionador para a carne bovina”, avaliou Roberto Perosa, presidente da Abiec.
Durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira, 19, Perosa salientou que, atualmente, a principal porta de entrada da carne bovina brasileira na Europa é pela tradicional Cota Hilton — que estabelece um volume limite de exportação de cortes bovinos. Essa cota é destinada a cortes nobres do traseiro bovino que têm um maior valor agregado. Dentro do bloco europeu, os principais destinos dessas carnes são Itália, Países Baixos, Alemanha e Bélgica. Porém, trata-se de um mercado restrito em volume.
O acordo, no entanto, traz mudanças na Cota Hilton. Com a entrada em vigor do tratado, a tarifa aplicada a esses embarques será reduzida gradualmente, de 20% para 0%, o que aumenta a competitividade da carne brasileira. “Há espaço para crescer em valor, mas as salvaguardas limitam avanços expressivos em tonelada”, salientou.
Além disso, o acordo Mercosul–UE estabelece uma cota adicional de 99 mil toneladas de carne bovina, em peso carcaça, para que os países do Mercosul exportem aos europeus. Desse total, 55% serão destinados a carne resfriada e 45% a carne congelada, com tarifa intraquota de 7,5%. O volume será liberado de forma gradual, em seis etapas, o que, segundo a Abiec, dilui o impacto no curto prazo.
Pelo desenho acordado no Fórum Mercosul da Carne, em 2019 — ano em que houve a expectativa de assinatura do acordo —, o Brasil deverá ficar com cerca de 42% dessa cota, o equivalente a aproximadamente 40 mil toneladas, embora a liberalização total só deva ocorrer em 2032. “Tem países querendo rever essa cota. Mas, na prática, isso não significa um salto imediato nas exportações. O incremento deve ficar entre 5% e 7% ao ano, considerando tarifas ainda existentes e o apetite do mercado europeu”, avaliou o presidente da Abiec.
Fonte: Estadão.