Boi gordo: falta de força no físico faz indicador cair
16 de setembro de 2009
Leilão Oficial Nelore: Mata Velha acontece dia 19 de setembro
16 de setembro de 2009

Crise acelera consolidações do setor de carnes

Há pouco mais de um ano, frigoríficos de carne bovina, de aves e suínos buscavam elevar investimentos, ampliar abates, produzir mais. Especialistas do segmento de carnes não têm dúvidas de que a crise financeira global acelerou o processo de consolidação - que viria de qualquer forma, mas em outro momento, já que os frigoríficos ainda buscam agregar valor, melhorar margens e reduzir riscos relativos a questões sanitárias.

Há pouco mais de um ano, frigoríficos de carne bovina, de aves e suínos buscavam elevar investimentos, ampliar abates, produzir mais. Movimentos de internacionalização e consolidação, que já estavam em curso, aprofundavam-se: a JBS acabava de comprar a Tasman, na Austrália, e a Smithfield Beef nos Estados Unidos, onde havia entrado em 2007 com a aquisição da Swift Foods Company. Também em 2008, a Marfrig, que já se expandia pela América do Sul, entrava no mercado de aves, com a compra, no Brasil, de DaGranja e Pena Branca, além das operações da americana OSI no país e na Europa. A Bertin, por sua vez, também testava novas fronteiras e já tinha começado a atuar na área de lácteos com a compra da Vigor, em 2007.

Em 15 de setembro, o Lehman Brothers quebrou e as empresas brasileiras de carnes acusaram efeitos da crise financeira que se seguiu: a Sadia teve perdas bilionárias com derivativos cambiais exóticos e o frigorífico Independência pediu recuperação judicial, mesmo caminho de Margen, Quatro Marcos e outras empresas menores do país. Lá fora, a gigante americana de frango, Pilgrim´s Pride, também pediu proteção contra a falência e tornou-se presa de concorrentes em melhor situação financeira.

A queda da demanda internacional por carnes – e, consequentemente, dos preços dos produtos vendidos – foi o principal fator que fez as empresas viverem dificuldades. Sobretudo aquelas mais dependentes do mercado internacional.

A Sadia foi comprada pela Perdigão em maio deste ano, operação que resultou na Brasil Foods. A JBS arrendou unidades do Quatro Marcos. O Margen criou uma nova empresa, muito menor, ideia que o Independência também espera ver aprovada por seus credores na recuperação judicial.

A Marfrig, que aposta na diversificação de “proteínas animais”, já conversava com a Seara e a empresa admitiu, em abril deste ano, que a crise afetou seu mercado. Isso pois, 70% de suas receitas eram provenientes da exportação. Nos EUA, a brasileira JBS, que até hoje só atua em bovinos e suínos, negocia com a combalida Pilgrim´s.

Especialistas do segmento de carnes não têm dúvidas de que a crise financeira global acelerou o processo de consolidação – que viria de qualquer forma, mas em outro momento, já que os frigoríficos ainda buscam agregar valor, melhorar margens e reduzir riscos relativos a questões sanitárias. A consolidação está longe de terminar, segundo especialistas. “O futuro pertence a grandes grupos de proteína animal”, diz José Rezende, sócio da PricewaterhouseCoopers responsável pelo setor de agronegócios.

Com a aquisição da Seara, a Marfrig se torna a segunda maior empresa de aves e suínos no Brasil e na exportação, e seu acesso a mercados como Japão, China, Rússia, Oriente Médio, Europa, África do Sul poderá ser ampliado. O investimento da Marfrig reduz o peso dos bovinos na receita da empresa, que no total realizou, com a Seara, 38 aquisições nos últimos três anos. A meta após a compra da Seara, segundo Marcos Molina, presidente da empresa, é que os industrializados respondam por 50% da receita.

Em 2008, revela Rezende, a PricewaterhouseCoopers contabilizou 640 fusões e aquisições no Brasil, 58% delas nos segmentos de açúcar e álcool, frigoríficos, laticínios e café. No primeiro semestre de 2009, os quatros segmentos representaram 66% de um total de 252 transações.

A reportagem é de Alda do Amaral Rocha e Fernando Lopes para jornal Valor Econômico, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

0 Comments

  1. Marcelo Torres dos Santos disse:

    Concentração de mercado sempre significou diminuição de preços ao produtor e, pelo visto, desta vez não será diferente. O “slogan” de o maior grupo de carnes bovina do mundo só beneficiará ao JBS – Bertin e não aos seus fornecedores.