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Curtumes de Goiás querem isenção de imposto para aumentar exportação

Os curtumes goianos reivindicam do governo federal a extinção do imposto de 9% que, desde dezembro de 2000, incide sobre as exportações brasileiras de couro wet blue. O presidente do sindicato do segmento no Estado, João Essado, lembra que o imposto foi instituído sob o pretexto de forçar a agregação de valor ao couro para exportação, o que, entretanto, não aconteceu. Segundo ele, em 2001/2002, o número de couros semi-acabados exportados cresceu apenas 6,4%, enquanto o de wet blue aumentou 14%, evidenciando que a tributação não é a melhor alternativa para se induzir a agregação de valor às exportações.

“Até pelo contrário, nossas exportações de couro salgado (sem nenhum beneficiamento) aumentaram cerca de 120% no período”, afirma Essado. De acordo com o presidente do sindicato, a tributação sobre as exportações, na verdade, beneficiou meia dúzia de grandes curtumes, “não em função da maior agregação de valor pretendida, mas porque ganharam maior competitividade frente à imensa maioria dos médios e pequenos curtumes, que são a base da economia do setor”.

Excedente

Essado diz que na próxima terça-feira (17) tratará do assunto em audiência com o ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, e com o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Robério de Oliveira Silva. “Vamos solicitar não só o fim do imposto sobre as exportações, mas também a adoção de uma política de fomento e capacitação do segmento para a agregação de valor aos seus produtos”, diz. Ele reivindica ainda financiamento em condições compatíveis com o mercado internacional, para que todo o segmento possa participar do comércio exterior em condições de igualdade.

O sindicalista argumenta que os curtumes brasileiros abastecem plenamente a indústria de acabamento de couros, de calçados e outros produtos finais, exportando apenas o excedente de produção, que é de aproximadamente 18 milhões de couros/ano. Segundo ele, o inusitado aumento das exportações do couro salgado, como conseqüência da taxação do wet blue, só agravou a ociosidade dos curtumes nacionais. Ele cita como exemplo o que ocorre em Goiás, onde a capacidade instalada do segmento é de aproximadamente 18 mil couros/dia, mas só 10 mil estão sendo efetivamente processados, embora o abate no Estado esteja ao redor de 12 mil animais/dia.

Fonte: O Popular (por Edimilson de Souza Lima), adaptado por Equipe BeefPoint

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