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Envio de carne sem osso para Chile abre novo segmento de mercado para pecuária gaúcha

Concretizado na sexta-feira (27), o envio da primeira carga de carne bovina com osso produzida no Rio Grande do Sul para o Chile marca uma “virada” na pecuária de corte gaúcha, avalia a presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, Antonia Scalzilli. Para a dirigente, a abertura desse novo segmento do mercado chileno representa o resultado econômico e estratégico do status de zona livre de febre aftosa sem vacinação, concedido pela Organização Mundial de Saúde Mundial (OMSA) ao Estado há cinco anos. Com a operação pioneira, a expectativa é que o agronegócio local se fortaleça para levar esse tipo de produto a outros destinos.

“O Chile é um primeiro passo superimportante, porque não se trata só de vender carne, mas de vender melhor. O Rio Grande do Sul precisa se posicionar, acessar mercados que reconhecem qualidade, sanidade, confiança e diferenciação”, diz Antonia, destacando que a divulgação dos diferenciais da produção do Estado é uma das metas do Fundo de Promoção da Carne Gaúcha (Fundocarne), iniciativa lançada por pecuaristas e indústrias no mês passado.

“É um sinal muito claro de que estamos prontos para um novo momento”, reforça Antonia. Ela lembra que o Rio Grande do Sul já exportava carne com osso a outros países, mas só agora começa a entrar no radar de importadores que adotam exigências sanitárias mais rigorosas e, consequentemente, abrem a oportunidade de negócios de maior valor agregado para o setor. “Existem vários mercados de carne sem osso, de cortes nobres, que não dependiam desse status de agora. Só que (esses cortes) fazem 30%, 35% do boi. Com o novo status, tu consegues agregar valor em cortes que até então não iam (para o mercado externo) e perfazem um percentual muito maior do animal”, detalha.

A carga destinada ao Chile partiu da unidade do frigorífico Minerva Foods em Alegrete. Atualmente, a empresa soma três plantas aptas a esse tipo de exportação no Estado. “O nosso desafio agora é consolidar esse movimento, ampliar as plantas habilitadas para atender esse mercado e abrir novos destinos”, afirma Antonia.

A exportação para o Chile foi destaque em um encontro ocorrido na Embaixada do Brasil em Santiago. Além da presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, a comitiva brasileira teve a participação do primeiro vice-presidente da CNA, Gedeão Pereira, para o qual a abertura do país sul-americano indica o início de uma agenda de longo prazo. Segundo o produtor, o foco agora é usar a “origem gaúcha” e a “identidade produtiva” como selos de qualidade para conquistar outros mercados de alta renda que exigem o status de livre de aftosa sem vacinação, como Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos. “O Mercosul tem Argentina, tem Uruguai, tem Paraguai produzindo carne, além do Brasil. E, no entanto, o Chile autorizou apenas o estado do Rio Grande do Sul a exportar carne com osso e miúdos bovinos para o país”, destacou Pereira, em nota.

Fonte: Correio do Povo.

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