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20 de março de 2026

Estudo revela como compradores de touros utilizam informações genéticas-chave nos EUA

Um estudo inédito utilizando tecnologia de rastreamento ocular revelou que, quando produtores comerciais compram touros, eles se concentram majoritariamente na aparência física do animal e em características básicas de produção, frequentemente ignorando índices econômicos de seleção projetados para melhorar a precisão da compra.

O projeto de pesquisa multiestados, liderado pelo economista agrícola da Universidade do Tennessee, Charley Martinez, examinou como o formato de apresentação dos perfis de diferenças esperadas na progênie (EPD) afeta a capacidade dos compradores de prever com precisão os preços dos touros e avaliar sua qualidade.

“Nossos resultados mostram que a forma como você apresenta a informação genética importa”, afirma Martinez. “Produtores que utilizaram ferramentas mais detalhadas, como rankings de EPD e EPDs com avaliação genômica, tiveram maior probabilidade de tomar decisões de preço mais precisas. Mas muitos compradores nem sequer olham para esses índices em primeiro lugar.”

Testando formatos, rastreando olhares

O estudo envolveu 208 produtores dos estados do Tennessee, Alabama, Virgínia Ocidental e Iowa. Os participantes foram convidados a assistir vídeos de 18 touros reais em leilão — seis de cada raça: Angus, Simmental e Hereford — juntamente com seus respectivos perfis de EPD. Em seguida, estimaram o preço de venda de cada animal.

Para medir a atenção, uma barra de rastreamento ocular por infravermelho foi calibrada para cada participante. Mapas de calor posteriormente revelaram exatamente onde os participantes focaram na tela.

Os pesquisadores testaram quatro diferentes formatos de apresentação dos perfis de EPD:

  • um formato tradicional com rankings percentuais;
  • o mesmo formato sem rankings percentuais;
  • um formato invertido, com os índices econômicos apresentados primeiro;
  • e um formato invertido sem rankings percentuais.

Em todos os cenários, a precisão média na estimativa de preços variou entre 21% e 26%, sendo que o formato invertido com rankings percentuais apresentou os melhores resultados.

Iowa se destaca, enquanto perfis mais arriscados erram mais

Os dados revelaram alguns padrões importantes:

  • Produtores de Iowa tiveram desempenho consistentemente superior aos dos outros três estados, sendo 23,8% mais propensos a prever corretamente os preços.
  • Usuários de EPDs com avaliação genômica e rankings de EPD foram significativamente mais precisos, com uma probabilidade de acerto quase 35% maior em comparação aos que não utilizavam essas ferramentas.
  • Participantes com maior tolerância ao risco erraram com mais frequência, enquanto aqueles dispostos a adiar recompensas — indicando uma mentalidade de investimento de longo prazo — obtiveram maior precisão.
  • A confiança também foi relevante: produtores que valorizavam mais a confiança no criador foram mais precisos em suas estimativas de preço.

Fenótipo domina a tomada de decisão

Apesar do incentivo dos geneticistas para o uso de índices econômicos como ferramentas eficientes de decisão, o estudo mostrou que eles raramente são consultados. O rastreamento ocular revelou que:

  • 97% dos participantes fixaram o olhar no fenótipo do touro;
  • EPDs de produção, como facilidade de parto, peso ao nascer e peso à desmama, foram as medidas genéticas mais observadas;
  • Índices econômicos ficaram em último lugar, com seus rankings percentuais sendo visualizados por apenas 11% dos participantes, em média.

“Quando os produtores olham para os índices, geralmente observam mais o valor absoluto do que o ranking percentual”, diz Martinez. “Isso indica que precisamos de mais educação sobre o que esses rankings significam e por que são importantes.”

Diferenciação de qualidade e padrões de preço

A pesquisa também avaliou se os produtores conseguiam diferenciar corretamente touros de alta, média e baixa qualidade, ajustando sua disposição de pagamento de acordo. Embora alguns compradores tenham superestimado ou subestimado preços de forma consistente, muitos conseguiram distinguir os níveis relativos de qualidade. Aqueles que utilizavam ferramentas genéticas mais avançadas tiveram melhor desempenho nessa diferenciação.

“Nosso objetivo é que os compradores direcionem mais recursos para os animais de maior qualidade e menos para os de qualidade média ou baixa”, explica Martinez. “Se eles conseguem identificar a qualidade, mesmo sem acertar exatamente o preço, isso já é uma habilidade valiosa. Mostra que compreendem o valor relativo.”

Implicações para criadores e leilões

Os resultados trazem lições claras para criadores de genética, organizadores de leilões e associações de raça:

  • O formato de apresentação importa: destacar os índices econômicos pode melhorar a precisão dos compradores.
  • Educação é fundamental: criadores e programas de extensão devem reforçar o valor e a interpretação dos índices e rankings percentuais.
  • Compradores devem usar todas as ferramentas disponíveis: o fenótipo sozinho oferece uma visão incompleta do valor do animal.

“Um cliente que volta é o melhor tipo de cliente”, afirma Martinez. “Quanto mais confiança ele tiver na decisão de compra, maior a chance de retornar. Apresentar a informação genética de forma que ele realmente utilize é essencial para isso.”

Próximos passos da pesquisa

Martinez e sua equipe pretendem aprofundar o estudo sobre o design de catálogos, testando quais formatos maximizam o uso dos índices econômicos de seleção.

“É a primeira vez que se comprova que o formato de apresentação impacta a precisão nas decisões de compra de animais”, diz ele. “Agora que sabemos que isso importa, a questão é como usar esse conhecimento para ajudar os produtores a tomar decisões melhores.”

O estudo também levanta questões mais amplas sobre tomada de decisão na agricultura e como a economia comportamental pode orientar programas de extensão, políticas de associações de raça e estratégias de marketing.

“No fim das contas, quanto mais informada for a decisão, melhor será o resultado para o produtor”, conclui Martinez. “E isso beneficia toda a cadeia produtiva.”

Fonte: Drovers, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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