

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, assinou no fim da última semana uma proclamação que amplia temporariamente a cota tarifária para a importação de carne bovina da Argentina. Segundo o documento, a ação é uma tentativa de reforçar o abastecimento interno e conter a alta dos preços da carne do País.
A medida autoriza a entrada, sem cobrança de tarifas, de 80 mil toneladas métricas adicionais por ano de carne bovina magra proveniente da Argentina. Esse volume será distribuído em quatro parcelas trimestrais de 20 mil toneladas cada. Segundo a Casa Branca, a decisão responde a uma combinação de fatores que pressionaram a oferta de carne bovina no mercado norte-americano nos últimos anos.
Dados oficiais mostram que o rebanho bovino dos EUA caiu para 86,2 milhões de cabeças em janeiro de 2026, o menor patamar da série histórica. A situação foi agravada por restrições sanitárias às importações de gado do México, após a identificação da mosca-varejeira-do-novo-mundo. Embora necessárias do ponto de vista sanitário, as medidas reduziram o número de animais destinados aos confinamentos, intensificando a escassez de carne.
Como reflexo direto desse desequilíbrio entre oferta e demanda, os preços da carne moída alcançaram US$ 6,69 por libra em dezembro de 2025 — maior patamar desde 1980. O alto preço acendeu o alerta do governo do País que lidera o consumo global de carne bovina em volume e ocupa a segunda posição em consumo per capita.
Além disso, a medida se insere em um contexto mais amplo de aproximação comercial entre EUA e Argentina.
Na semana passada, os dois países assinaram um acordo que prevê a redução ou eliminação de tarifas argentinas para milhares de produtos norte-americanos, além da abertura de cotas isentas para itens estratégicos, como 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos.
Em contrapartida, os EUA se comprometeram a eliminar tarifas sobre produtos agrícolas argentinos selecionados e a limitar eventuais sobretaxas a um teto de 10%. O acordo ainda não está em vigor e passará a valer 60 dias após a troca de notificações formais, ou em data a ser definida entre ambos governos.
Fonte: Estadão.