

O Programa Carne Angus Certificada fechou 2025 com recorde, tanto em produção quanto em exportações, impulsionado pela demanda global por carne premium e pela capacidade do Brasil de entregar volume com padronização. No ano passado, o Brasil exportou 11.286 mil toneladas de Carne Angus Certificada, alta de 260% sobre 2024 (3.137 toneladas).
Em volume, China e Israel lideraram as compras em 2025, mas o leque de destinos se ampliou: o número de países atendidos passou de 30 em 2024 para 35 em 2025, e a lista incluiu novos mercados, como Guiana e Albânia.

Fonte: Associação Brasileira de Angus
Além do avanço em tonelagem, o programa aponta ganho de preço médio no exterior, com maior valorização da carne e da genética Angus nacional. Segundo dados consolidados pela Associação Brasileira de Angus, os cortes Angus certificados exportados atingiram média de US$ 8.505,02 por tonelada em 2025, contra US$ 5.539 por tonelada na média brasileira, diferença de 53%.
O salto das exportações foi acompanhado por aumento na base produtiva do programa: os abates de animais certificados somaram 612.212 cabeças em 2025, recorde em 23 anos e crescimento de 20% na comparação anual. Esse volume resultou em 53.031 toneladas de Carne Angus Certificada, destinadas majoritariamente ao mercado interno, que respondeu por 78,7% do total, enquanto 21,3% foram para exportação.
Para Wilson Brochmann, diretor do Programa Carne Angus Certificada, o resultado de 2025 reflete uma combinação rara de oportunidade externa e capacidade interna de entrega. “Sabemos que o mundo demanda por proteína de alta qualidade e que o Brasil é talvez o único país capaz de produzir em escala para atender a esses mercados. Em 2025, tivemos queda de produção em tradicionais países produtores de carne premium e o Angus do Brasil seguiu conquistando mercados”, afirmou, destacando ainda o Oriente Médio como um foco estratégico pela renda elevada e potencial de consumo.
Do lado operacional, 2025 também marcou o início de abates no Nordeste, ampliando a produção de Angus Certificada para as cinco regiões do país. Hoje, o programa opera com 60 plantas frigoríficas e está presente em 13 Estados, com 75 colaboradores e técnicos atuando dentro dos frigoríficos para garantir o padrão de certificação.
Para 2026, a palavra de ordem é consolidação. O objetivo é manter os volumes e ampliar a rentabilidade, especialmente diante de desafios como a menor oferta de animais para abate devido à retenção de matrizes.
Borges enxerga nas restrições comerciais, como cotas de importação chinesas, uma oportunidade estratégica. Ele destaca que, com cotas limitadas, é essencial otimizar cada tonelada exportada. Assim, as cotas seriam supridas com carne de maior valor agregado, a exemplo da Angus Certificada, enquanto a carne commodity migraria para outros destinos.
Brochmann analisa com cautela a definição das novas cotas da China, apontando uma estratégia comercial por parte dos asiáticos. O diretor destaca que o Brasil foi o único país a receber uma cota inferior ao volume efetivamente exportado no ano anterior. “Acho que, quando chegar setembro e completarmos a cota de 1 milhão e 100 mil toneladas, eles vão querer fazer uma nova negociação de preço para poder comprar mais barato”, projeta.
Ao avaliar as perspectivas do setor com o recém-assinado acordo do Mercosul com a União Europeia, Brochmann reforça que a Europa reduziu drasticamente sua produção de proteína vermelha, abrindo espaço para o Brasil como fornecedor de carne premium, impulsionado pela cota Hilton que premia animais rastreados e abatidos jovens.
“Já estamos vendo França, Itália e Portugal procurando os grandes frigoríficos exportadores para assinarem contratos de importação. Então, isso já está nos favorecendo. Está dando um volume muito expressivo de aumento e eu acho que, em 2026, vai ter uma repercussão, um crescimento muito forte dos países europeus demandando nossa carne diferenciada”, relata.
Borges complementa que, apesar de não liderar em volume, a região destaca-se em valor agregado, com potencial para disputar faturamento com o Oriente Médio em 2026, favorecendo carnes diferenciadas como a Angus. Apesar do entusiasmo dos dois representantes do setor, o presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, é mais cético e vê o tratado como jogada política.
“Se esperar pelo acordo, não vai acontecer. Não acredito que haverá unanimidade entre os parlamentos para colocar em prática, mas o Brasil não precisa do acordo. Sozinho, ele tem tamanho pra competir nesse cenário”, conclui.
Fonte: Estadão.