

As exportações brasileiras de carne bovina iniciaram este ano com ritmo recorde para os Estados Unidos. Em apenas cinco dias (entre 2 e 6 de janeiro), a cota de 52 mil toneladas isentas foi totalmente preenchida, confirmou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). O excedente é taxado em 26,4%. A previsão da entidade é que os embarques passem de 400 mil toneladas em 2026.
“Os EUA são um mercado potencial para chegar a 400 mil ou até mais neste ano. Essa era a nossa previsão em 2025 antes do tarifaço, mas mesmo assim fechamos o ano passado com 271 mil toneladas”, afirmou Roberto Perosa, presidente da Abiec. A estimativa é que as exportações de janeiro cheguem a 35 mil toneladas fora da cota e que a média mensal do ano fique próxima de 40 mil toneladas.
Perosa ressaltou que o ritmo dos embarques pode influenciar no preço pago pelos importadores americanos, o que vai exigir coordenação das empresas brasileiras. “Se confirmar o ritmo de 40 mil toneladas mensais, o preço cai e começa a não ser tão rentável. É uma equação complexa”, ponderou.
A cota usada pelos frigoríficos brasileiros foi reduzida em 2026. Antes, eram 65 mil toneladas, divididas com vários outros países. Os EUA transferiram 13 mil toneladas para o Reino Unido, o que resultou no volume de 52 mil toneladas, ocupadas totalmente pelo Brasil nos seis primeiros dias de janeiro.
“A cota americana é pequena. Não podemos deixar isso [esgotamento rápido] acontecer com a China, senão haverá um efeito grande na pecuária. A China tem muito impacto, por isso a ideia é que haja um controle governamental dos embarques”, disse Perosa. O setor estima que parte das 500 mil toneladas que deixarão de ser embarcadas para os chineses em 2026 seja redirecionada ao mercado americano.
A informação do uso total da cota foi confirmada pelo relatório semanal do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês), divulgado na noite dessa segunda-feira (12/1). No ano passado, o Brasil atingiu o volume isento, até então de 65 mil toneladas, em 17 de janeiro. Em 2024, isso havia ocorrido apenas em março.
As 350 mil toneladas a mais que o Brasil espera enviar aos EUA até o fim do ano serão taxadas em 26,4%. Isso torna o produto brasileiro menos competitivo que as cargas da Austrália, por exemplo. Americanos e australianos têm acordo de livre comércio para cota de 378,2 mil toneladas anuais. Menos de 3% desse volume havia sido ocupado até 12 de janeiro, com exportações de 10,6 mil toneladas.
A Argentina utilizou pouco mais de 2,5% da sua cota de 20 mil toneladas em 2026, com envio de 510,5 toneladas até agora. A Nova Zelândia exportou 5,1 mil toneladas aos americanos, 2,4% da sua cota anual de 213,4 mil toneladas. Os frigoríficos uruguaios ocuparam apenas 1,5% da cota de 20 mil toneladas deste ano, com embarque de 297,1 toneladas.
O Reino Unido, que recebeu a cota de 13 mil pertencente ao Brasil anteriormente, ainda não exportou carne bovina aos EUA em 2026, segundo o relatório mais recente do CBP.
Fonte: Globo Rural.