
Impulsionadas pela forte demanda contínua dos Estados Unidos e da China, as exportações australianas de carne bovina em março atingiram seu segundo maior nível mensal já registrado.
O volume total destinado a todos os mercados de exportação no mês passado alcançou 149.973 toneladas, ficando pouco abaixo do recorde anterior, ligeiramente acima de 150.000 toneladas.
O resultado foi sustentado por altos níveis de abate semanal nacional desde o final de fevereiro, incluindo algumas das maiores semanas de produção observadas desde o período de descarte durante a seca de 2019-20.
Os embarques de carne bovina de animais terminados em confinamento (grainfed) para exportação em março foram os maiores já registrados para um mês, atingindo 45.982 toneladas, ligeiramente acima de dezembro do ano passado.
No acumulado do primeiro trimestre (janeiro a março) e do ano calendário até o momento, o volume exportado atingiu 365.199 toneladas. Trata-se, com folga, de um recorde histórico para o primeiro trimestre, superando o mesmo período do ano passado (que já era o recorde anterior) em impressionantes 17%. E isso foi alcançado apesar de interrupções significativas no processamento devido a enchentes e chuvas intensas em Queensland, especialmente durante fevereiro.
Dois mercados-chave — Estados Unidos e China — impulsionaram o resultado quase recorde de março, embora também tenham sido observados bons ganhos em outros destinos.
Mais uma vez, a demanda insaciável dos Estados Unidos, onde o rebanho bovino nacional continua próximo dos níveis mais baixos dos últimos 70 anos, foi determinante para o desempenho de março.
Os portos das costas leste e oeste dos EUA receberam, em março, 42.043 toneladas de carne bovina australiana, tanto resfriada quanto congelada, um aumento de cerca de 10.000 toneladas ou 30% em relação ao mesmo mês do ano passado. Embora ainda elevado em termos históricos, o volume de março permanece abaixo do observado em 2015, quando a Austrália abatia grandes quantidades de vacas durante a seca, chegando a exportar temporariamente mais de 47.000 toneladas mensais para os EUA.
As exportações para a China no mês passado ficaram bem abaixo dos volumes previstos por alguns analistas, que esperavam uma corrida intensa antes que a Austrália atingisse sua cota de exportação para a China em 2026, de 205.000 toneladas.
O volume de março, de 32.907 toneladas, ainda foi o terceiro maior já registrado, mas as previsões de mais de 40.000 toneladas ficaram bem distantes da realidade. Alguns observadores do mercado sugerem que os embarques deste mês podem refletir mais essa tendência.
No acumulado de janeiro a março, a China importou 76.562 toneladas, segundo registros do DAFF, o que representa 37% da cota australiana para 2026. No entanto, os próprios registros de importação da China, que servem de base para o acesso comercial, podem apresentar diferenças. Os dados de embarques de “carne bovina e vitela” não refletem a quantidade de outros produtos derivados, como ossos bovinos, que são exportados em grandes volumes para o país.
Outros importantes compradores de carne bovina australiana, como Japão e Coreia do Sul, também apresentaram forte demanda em março. O Japão importou 23.861 toneladas, enquanto a Coreia do Sul registrou quase um recorde com 25.543 toneladas, ambos influenciados pela oferta restrita dos Estados Unidos. O volume destinado ao Japão foi mais de 5.100 toneladas ou 27% superior ao de março do ano passado, enquanto a Coreia do Sul importou 9.200 toneladas a mais, um aumento de 56% na comparação anual.
Com as exportações para o Oriente Médio significativamente prejudicadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz, os volumes destinados aos sete principais países da região foram severamente impactados em março.
Apesar de parte do transporte marítimo ter sido parcialmente compensada pelo aumento do transporte aéreo, as exportações para o Oriente Médio totalizaram apenas 1.644 toneladas em março — uma queda de 47% em relação ao mesmo período do ano passado.
O desempenho em mercados menores e emergentes foi misto ao longo de março. A Indonésia importou 3.314 toneladas de carne bovina australiana, queda de 35% em relação ao ano passado, à medida que volumes crescentes de carne brasileira mais barata entram no mercado.
O Canadá importou 4.478 toneladas em março, um aumento de 57% em relação ao ano anterior.
Fonte: Beef Central, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.