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Frigoríficos cobram governo sobre controle da cota e falam em risco de inflação na carne

O ritmo acelerado de preenchimento da cota anual de exportação de carne bovina para a China ainda em fevereiro, de 33,6%, segundo balanço divulgado pelos chineses nesta sexta-feira (20/3), acendeu um alerta vermelho nos frigoríficos nacionais.

Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), avaliou que os dados reforçam a urgência da aprovação, pelo governo federal, de um sistema de controle dos embarques sob pena de gerar uma desorganização na cadeia pecuária no segundo semestre deste ano.

Segundo o executivo, se não for criado um mecanismo estatal para controlar as exportações da proteína para a China, a cota de 1,1 milhão de toneladas poderá ser preenchida totalmente ainda em maio.

Se isso ocorrer, poderá haver reflexos diretos nos frigoríficos, com a consequente redução de linhas de abate e o repasse de preços ao produto que fica no mercado interno para compensar a receita que deixará de entrar em caixa com as vendas externas.

O resultado, disse Perosa, poderá ser a carne bovina mais cara para os consumidores brasileiros nas vésperas das eleições de outubro.

“Se tivermos as cotas reguladas, o volume dura até setembro. Se não tiver, acabará em maio. Isso terá um duplo efeito: redução drástica do abate, por não ter destinos suficientes, e aumento do preço da carne bovina no mercado interno”, afirmou ao Valor.

O executivo explicou que o faturamento das exportações é um componente essencial para o equilíbrio financeiro das empresas. Sem essa receita – a China é o maior cliente dos frigoríficos brasileiros – e com os custos fixos mantidos, a perspectiva é de aumento nos preços dos cortes que vão para açougues e freezers dos supermercados no Brasil.

A expectativa é que o Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) coloque em votação na reunião da próxima quinta-feira (26/3) a proposta de criação de um controle estatal para a cota chinesa.

Consultado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) ainda não confirmou se o tema será avaliado.

Em fevereiro deste ano, a Abiec apresentou ao governo uma sugestão para criar o sistema de controle de cotas de exportação de carne bovina para a China, com a divisão de volumes de forma proporcional entre as empresas habilitadas para lá, de acordo com o desempenho de 2025, e a distribuição de forma trimestral, até setembro.

O objetivo é controlar os embarques de maneira que as cargas saiam do Brasil e cheguem nos portos chineses no mesmo ano civil, já que a viagem de navio dura até 60 dias.

Na avaliação da entidade, o mecanismo ajudará a organizar os fluxos e a evitar uma “corrida” dos frigoríficos para vender logo sem a tarifa extra de 55% no extra cota. Por enquanto, uma espécie de “acordo de cavalheiros” entre as empresas tem ajudado a manter as exportações em níveis “normais”.

Perosa disse que o setor já apresentou a fundamentação técnica e jurídica ao governo federal, bem como o dano potencial à cadeia nacional em caso de omissão, e que espera um desfecho o quanto antes. A votação no Gecex já foi adiada duas vezes.

Para ele, o controle da cota será importante nesse e nos próximos anos. A China definiu volumes de importação até 2028. A avaliação do executivo é que a ausência de uma regulação estatal causará um “dano gigante ao setor no médio prazo”.

Fonte: Globo Rural.

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