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Frigoríficos pedem ao governo que replique modelo da cota Hilton para carne bovina na China

O setor frigorífico brasileiro quer que o governo federal adote com a China a base do modelo utilizado com a União Europeia para a distribuição da cota Hilton, de carne bovina, entre as empresas do setor. Neste formato, o volume total da cota é dividido de forma proporcional para as empresas que exportaram no ano anterior.

O “precedente” foi apresentado oficialmente para dar “conforto jurídico” ao Executivo na definição dos mecanismos para controle dos embarques à China, que impôs ao Brasil uma cota de 1,1 milhão de toneladas de carne com tarifa reduzida para 2026. A proposta ainda deverá ser submetida à Câmara de Comércio Exterior (Camex).

Porém, autoridades chinesas informaram exportadores argentinos e brasileiros recentemente que esse modelo não funcionará e que a administração da cota será feita na China, com preferência para quem exportar primeiro, sem divisões específicas por frigorífico.

Para a indústria brasileira, há base jurídica para distribuir a cota entre as 64 empresas que embarcaram regularmente à China em 2025, de forma proporcional. A proposta teria sido bem aceita pelo governo, mas segue em debate.

Outra sugestão sobre a mesa é escalonar as vendas, com o estabelecimento de limites mensais ou trimestrais de embarques, para evitar uma “corrida” para cumprir a cota e consequentes reflexos nos preços internos da arroba do boi e da carne. O tema tem adesão dos frigoríficos, mas há receios na cadeia pecuária dos potenciais efeitos negativos da medida.

A cota Hilton foi estabelecida em 1979 pelos europeus para regular a importação de carne bovina desossada de alta qualidade, com cortes nobres como filé mignon e contrafilé. O Brasil ficou com uma cota de 10 mil toneladas, que podem ser enviadas entre julho de um ano e junho do ano seguinte, com tarifa de 20% e garantia de alto valor de compra.

Para distribuir essa cota, o governo usa como base o desempenho das exportações das empresas habilitadas para a UE no ano anterior e determina a participação no ano seguinte. A ideia é replicar esse modelo na China. Um especialista na área alertou, porém, que a situação é diferente. A norma da Hilton foi decidida em cooperação com os europeus. “Neste caso, é uma medida unilateral da China, à qual o Brasil terá que reagir”, disse.

“O governo está ciente dos impactos. Há vontade política para que seja tomada a decisão, do contrário desestruturará toda a cadeia e terá implicações no Brasil”, afirmou uma fonte a par dos debates.

Sem uma regulação estatal, o receio do setor é de um momento de oscilações de preços, de ritmo de compras de bovinos e dos embarques que podem desorganizar a cadeia. Na indústria, o temor é de que um ciclo de desorganização possa levar até cinco anos, se nada for feito agora.

Até o momento, o recado do governo chinês nas consultas feitas recentemente por exportadores foi de que a administração dos volumes não ficará a cargo das autoridades dos países fornecedores. A intenção é não limitar a concorrência dos frigoríficos nem reduzir o poder de negociação da China.

O acesso ficaria livre para as plantas habilitadas de todos os países. Quando as autoridades chinesas assinalarem que a cota foi preenchida, os parceiros comerciais serão informados sobre a aplicação da tarifa extracota de 55%.

A Associação Argentina de Produtores Exportadores (Apea) informou na semana passada que a China rejeitou o modelo da cota Hilton ou da cota de exportação aos Estados Unidos. Os chineses deverão fornecer atualizações constantes sobre o uso das cotas.

“O Brasil deveria reagir com algum tipo de controle para evitar a redução do preço internacional. O governo está discutindo isso”, afirmou uma fonte graduada de Brasília.
A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) disse que defende a distribuição da cota chinesa aos moldes da Hilton, com a proporcionalidade de mercado de cada empresa no ano anterior. Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse que levou as preocupações ao governo e que as empresas acatarão o que for decidido pelo Executivo.

Procurados, os ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura não retornaram.

Fonte: Globo Rural.

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