Dados confirmam recordes de exportação, produção e receita dos produtores de carne bovina da Austrália em 2025
20 de fevereiro de 2026

Governo francês pede que cidadãos “limitem” o consumo de carne para combater as mudanças climáticas

A França atualizou sua Estratégia Nacional para Alimentação, Nutrição e Clima, pedindo que os cidadãos reduzam o consumo de carne para diminuir as emissões de gases de efeito estufa.
O governo francês recentemente pediu que as pessoas “limitem” o consumo de carne, como parte de novas diretrizes voltadas a melhorar a saúde pública e reduzir as emissões.

Famoso por pratos emblemáticos como o steak frites e o boeuf bourguignon, o país começa a confrontar o impacto ambiental de suas tradições culinárias, que dependem fortemente do consumo de carne.

A alimentação e a agricultura contribuem com cerca de um terço das emissões globais de gases de efeito estufa, ficando atrás apenas da queima de combustíveis fósseis.

A carne, especialmente a carne bovina e ovina, foi identificada em vários estudos como uma das principais responsáveis pelos impactos climáticos. De acordo com a calculadora de pegada de carbono CO2 Everything, uma porção de 100 g de carne bovina equivale a dirigir 78,7 km de carro, liberando 15,5 kg de CO2 equivalente.

França pede que cidadãos consumam menos carne

No início deste mês, a França publicou sua Estratégia Nacional para Alimentação, Nutrição e Clima, que define as metas do governo até 2030 para enfrentar a crise climática, ao mesmo tempo em que responde às crescentes preocupações com a saúde.

O relatório estava originalmente previsto para ser publicado em 2025, mas foi adiado após reações negativas de grupos de pressão do setor agrícola. O documento foi divulgado um mês depois de as diretrizes alimentares dos Estados Unidos terem incentivado, de forma controversa, o consumo de bife e carne moída.

As novas diretrizes francesas promovem uma dieta baseada em alimentos integrais, como frutas, legumes, leguminosas, castanhas e grãos integrais, ao mesmo tempo em que pedem um consumo “limitado” de carne e embutidos.

As diretrizes também pedem a redução do consumo de carne importada, mas afirmam que o peixe e os produtos lácteos podem ser consumidos em quantidades “suficientes”. O leite de vaca gera cerca de três vezes mais gases de efeito estufa do que a maioria das alternativas vegetais.

Limitar o consumo de carne é suficiente para salvar o planeta?

“Comer melhor significa agir em favor do planeta, da nossa saúde e apoiar uma agricultura de qualidade”, afirmou Monique Barbut, ministra da Transição Ecológica, da Biodiversidade e das Negociações Internacionais sobre Clima e Natureza.

“Ao escolher produtos locais e sustentáveis, reduzimos nossa pegada de carbono, protegemos a biodiversidade e valorizamos o trabalho dos nossos agricultores. Com essa estratégia, a ecologia passa a fazer parte, de forma concreta, dos nossos pratos.”

Embora o relatório reconheça o impacto ambiental da carne, ativistas criticaram o governo francês por usar o termo “limitar” em vez de “reduzir”.

Stephanie Pierre, da France Assos Santé, uma associação de saúde, foi citada pela mídia local dizendo que o grupo esperava um “plano muito mais ambicioso”.

A França está se afastando da carne?

Os franceses vêm se afastando gradualmente de uma culinária centrada na carne nos últimos anos, por vários motivos.

Uma pesquisa realizada em 2025 pela associação le Réseau sobre mudanças climáticas revelou que 52% dos cidadãos reduziram o consumo de carne nos últimos três anos. Mais da metade (52%) afirmou que isso ocorreu devido ao forte aumento nos preços dos produtos à base de carne.

38% citaram a saúde como o principal motivo para consumir menos carne, enquanto o meio ambiente e o bem-estar animal foram fatores para 35% e 33%, respectivamente.

Fonte: Euronews.

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