

A guerra no Oriente Médio, que coloca Israel e Estados Unidos de um lado e Irã do outro, não deve levar prejuízos à relação comercial entre brasileiros e israelenses. A avaliação é do presidente-executivo da Federação Israelita do Estado de São Paulo, Ricardo Berkiensztat.
“São economias complementares. Israel precisa da agricultura brasileira e o Brasil se utiliza de tecnologia israelense na sua agricultura. É um ganha-ganha”, analisa, mencionando empresas do país que atuam em segmentos como irrigação e dessalinização de água.
No comércio agropecuário, a carne bovina lidera a pauta de exportações do Brasil para Israel. Em 2025, os embarques somaram US$ 232,5 milhões, aumento de 41,3% em comparação com o ano anterior, informa o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).
As exportações de soja tiveram receita de US$ 66,7 milhões (-12,4%). Os embarques de café em grão totalizaram US$ 47,8 milhões (+35,6%). Farelos, milho em grão, sementes, mel e especiarias também estão entre os produtos agro que os brasileiros vendem para os israelenses.
Em sentido inverso, o Brasil comprou de Israel US$ 499 milhões em fertilizantes no ano passado, aumento de 15,3% em comparação com o ano anterior. Os dados do MDIC apontam o insumo como principal produto da pauta de importação.
As compras de defensivos agrícolas somaram US$ 101,8 milhões (+34,2%). Produtos florestais, frutas, bebidas, derivados de cacau e produtos de couro também estão entre os produtos que os israelenses vendem aos brasileiros.
“Espero que essa guerra tenha um desfecho rápido, que a paz seja restaurada e não atrapalhe as relações comerciais”, diz Berkiensztat.
Ele reconhece que, neste momento, a relação entre Brasil e Israel está “fria”. A tensão vem desde sete de outubro de 2024, quando o grupo terrorista Hamas atacou o território israelense. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a resposta do governo de Benjamin Netanyahu, chegando a compará-la ao Holocausto sofrido pelos judeus na Segunda Guerra Mundial.
“São países irmãos, que, neste momento, estão ‘de mal’ um com o outro. Mas ambos terão eleições no final do ano, e pode haver uma mudança nessa relação”, avalia, dizendo não acreditar em uma possível ruptura entre os dois países.
Fonte: Globo Rural.