

A JBS, maior produtora global de carne, deve enfrentar uma nova ameaça ao setor diante do aumento dos custos no Brasil enquanto continua encarando dificuldades com a fraqueza do mercado nos Estados Unidos.
Os preços do gado estão subindo no Brasil devido a uma mudança cíclica no mercado, já que os pecuaristas estão retendo as fêmeas para recompor os rebanhos.
Esse movimento é recente e não está ainda refletido nos resultados do quarto trimestre da JBS, divulgados na quarta-feira (25). Isso marca uma possível mudança à frente, já que até agora a empresa vinha se beneficiando de custos mais baixos no país.
Ainda assim, o número crescente de confinamentos no Brasil e as recentes melhorias na nutrição animal podem ajudar a compensar os custos mais altos, disse em entrevista à Bloomberg News o CEO Gilberto Tomazoni. “É bem diferente da situação que temos nos Estados Unidos”.
A JBS não espera alívio vindo dos EUA, à medida que a redução do rebanho tem apertado as margens das empresas de processamento de carnes e elevado os preços da carne bovina ao consumidor para máximas recordes.
As margens fracas na carne bovina nos EUA, a maior unidade do grupo, “mais do que explicam” o impacto nos resultados do trimestre e do ano passado, afirmou o CEO. Ele acrescentou que o cenário nos EUA não deve mudar durante 2026.
A JBS registrou uma queda de 7% no lucro antes de itens como juros e impostos no quarto trimestre, para US$ 1,7 bilhão, segundo comunicado divulgado na quarta-feira. O resultado ficou praticamente em linha com estimativas do mercado.
Para a unidade de carne bovina da América do Norte, o lucro antes desses itens caiu quase 50% em relação ao ano anterior, para US$ 56 milhões.
Ainda assim, o desempenho foi melhor do que as expectativas de analistas, que previam prejuízo. Segundo Tomazoni, a empresa conseguiu obter alguns ganhos de eficiência nas operações nos EUA, apesar dos desafios gerais do mercado.
A JBS também está enfrentando uma greve em uma de suas maiores fábricas de processamento de carne bovina nos EUA. Os trabalhadores da unidade de Greeley, no Colorado, reivindicam salários mais altos.
No entanto, os danos causados pela paralisação podem ser atenuados, já que a JBS disse que pode manter o fornecimento ao transferir temporariamente a produção para outras instalações.
Embora as recentes cotas impostas pela China também possam afetar as exportações de carne bovina, especialmente as do Brasil, a JBS espera que o impacto seja atenuado pela crescente demanda de outras regiões, incluindo os EUA.
“Estou otimista com o mercado brasileiro para este ano, porque há uma demanda global muito forte por carne bovina”, disse o CEO. Ele acrescentou que a empresa também tenta ampliar a receita no mercado interno por meio de um mix de produtos de maior valor agregado.
Tomazoni afirmou que a JBS, até agora, tem enfrentado bem a guerra no Oriente Médio, onde países como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos estão entre os maiores importadores de frango do mundo. Embora o conflito apresente desafios logísticos para o negócio de carne de aves da empresa, os custos mais altos de frete estão sendo pagos pelos importadores. As próprias plantas de processamento da JBS na região continuam operando normalmente, de acordo com Tomazoni.
Fonte: Bloomberg.