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MBRF e JBS ampliaram aposta no Oriente Médio com aquisições e parcerias

Companhias como MBRF e JBS, que atuam no Oriente Médio, buscam formas de garantir o abastecimento local em meio à guerra no Irã, após grandes investimentos, aquisições e parcerias feitas na região. Utilização de estoques e novas rotas logísticas são as principais alternativas em análise.

Com a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã nas últimas semanas, a MBRF já havia desenhado um plano de contingência e reforçado estoques de frango, tanto de produtos acabados quanto de carne in natura a ser processada em suas fábricas na região, disse um fonte do setor ao Valor, sob condição de anonimato. O volume seria suficiente para garantir o abastecimento regional por mais de um mês.

A companhia controlada por Marcos Molina tem hoje três unidades de carne de frango no Oriente Médio: uma em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e duas na Arábia Saudita, nas cidades de Dammam e Al Jubail. Tem ainda 11 centros de distribuição, que recebem e armazenam carne bovina importada que abastece a região, além de dois escritórios comerciais. Em todas as unidades, são cerca de 2 mil colaboradores.

Em abril de 2025, antes da fusão com a Marfrig, a BRF Arabia Holding Company, em que a BRF tem parceria com a Halal Products Development Company (HPDC), anunciou a construção de uma fábrica de processados de frango em Jeddah, na Arábia Saudita, que absorverá US$ 160 milhões. Em outubro, já como MBRF, a companhia e a HPDC anunciaram a criação da Sadia Halal, unidade que reunirá fábricas da MBRF, suas empresas de distribuição no Catar, Kuwait e Omã e o negócio de exportações de aves, bovinos e processados a clientes na região.

No momento, o foco da MBRF , segundo a fonte, não é redirecionar a outros países cargas que chegariam à região pelo Estreito de Ormuz, fechado em razão da guerra no Irã, mas abastecer as nações árabes. A estratégia é necessária inclusive porque suas fábricas precisam do frango exportado pelo Brasil para transformá-la em produtos processados.

A alternativa com maior força, hoje, é acessar o Oriente Médio pelo estreito de Bab al-Mandab, entre o Iêmen e Djibouti, na África, e que dá acesso ao Mar Vermelho e à costa oeste da Arábia Saudita, onde a empresa tem fábricas. Dali, disse a fonte, as cargas poderiam ir por estradas a outros países. Mas outras possibilidades estão sendo estudadas, como acessar Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, pelo porto de Khorfakkan, que fica antes do estreito de Ormuz.

O setor também considera usar o porto de Salalah, no sul de Omã, para então transportar cargas por via terrestre até Dubai, disse ao Valor, na quarta-feira o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.

De acordo com uma outra fonte do setor, MBRF e JBS também possuem estoques de carne bovina para processamento na região.

No segmento de carne de frango, a JBS, por meio da Seara, vinha reforçando investimentos no Oriente Médio para fazer frente à demanda do mercado halal e aos movimentos da concorrência. O último, anunciado em fevereiro, foi a aquisição, por US$ 150 milhões, de 80% da holding recém-criada pela Oman Food Capital (OFC), braço de investimentos em alimentos da Oman Investment Authority (OIA).

A transação envolveu a unidade de aves em fase de conclusão no norte de Omã e uma indústria de processamento de carnes bovina e cordeiro no sul do país, que deve começar a produzir em até seis meses, informou a JBS na época.

A JBS também tem duas plantas na Arábia Saudita, em Jeddah, de frango e processados, e Damman, de carne bovina, linguiças e salsicha de frango e peito de aves. Em janeiro, anunciou a expansão da unidade de Jeddah, para dobrar a produção até o fim deste ano. A fábrica opera desde 2025 e exporta a países da região. Em todas as operações do Oriente Médio e norte da África, são cerca de 2 mil colaboradores.

O Oriente Médio tem considerável relevância para os negócios das companhias. Em 2024, 14,2% das exportações da JBS foram para a África e Oriente Médio, segundo sua apresentação de resultados. Já a Sadia é líder de vendas na na região que compreende a Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, com 36,9% de participação.

Procurada, a MBRF não comentou o assunto. A JBS não respondeu à reportagem.

Fonte: Globo Rural.

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