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Milhares de trabalhadores da JBS entram em greve em unidade de processamento de carne em Greeley, no Colorado

Foto: Tracy Ross, The Colorado Sun

Milhares de trabalhadores sindicalizados empregados pela maior empresa de processamento de carne dos Estados Unidos entraram em greve no início da manhã de segunda-feira, fazendo piquetes em frente à unidade da JBS em Greeley. Os trabalhadores estão pedindo salários mais altos e condições de trabalho mais seguras.

Antes do nascer do sol, com a temperatura em torno de 20°F (≈ –6,7°C), centenas de funcionários foram para a linha de piquete no início da manhã de segunda-feira na unidade.

O sindicato, que representa 3.800 trabalhadores na planta, acusou a JBS de tentar extrair mais dos funcionários enquanto reduz horas de trabalho e cria um ambiente de trabalho inseguro. Kim Cordova, presidente da United Food and Commercial Workers (UFCW – um dos maiores sindicatos dos Estados Unidos) na da região do Colorado, disse que a planta acelerou a linha de produção para processar 420 animais por hora, acima dos 390. Além de salários mais altos, os trabalhadores querem reembolso pelos equipamentos de proteção, que podem custar centenas de dólares.

O sindicato apresentou algumas queixas ao National Labor Relations Board alegando retaliação e mudança nos termos e condições de emprego por parte da JBS, também conhecida como Swift Beef Company.

A porta-voz da JBS, Nikki Richardson, disse em um e-mail que a empresa passou os últimos oito meses em discussões com membros do sindicato sobre um novo contrato.

Cordova disse que a proposta da JBS de aumentar os salários em 60 centavos por hora no primeiro ano e 30 centavos anualmente nos dois anos seguintes é semelhante a um acordo nacional que a empresa fez com sindicatos em outros estados no ano passado, mas que não cobre o custo de vida mais alto do Colorado.

“A JBS está tentando nos forçar a aceitar o acordo nacional”, disse ela. “Mas os custos de saúde aumentaram 22 centavos por hora (então) aquelas pessoas tiveram um aumento de 8 centavos. Isso não vai funcionar para nós.”

Richardson havia chamado anteriormente a última oferta de “forte, justa e consistente com o histórico contrato nacional alcançado em 2025 em parceria com a UFCW International”.

Esta é a primeira greve na indústria de processamento de carne desde que uma greve em nível nacional ocorreu na Hormel Foods, em Minnesota, em 1985.

Funcionários da JBS vêm trabalhando com uma extensão do contrato expirado desde julho e deram um aviso de sete dias de que planejavam entrar em greve.

Com sede em Greeley, a JBS USA possui 132 unidades de processamento, 109.000 funcionários e opera em nove países, de acordo com seu site. Em Greeley, os trabalhadores processam bovinos em cortes de carne que acabam nas mesas de jantar em todo o país. A JBS, também conhecida como Swift Beef Company, é uma das maiores processadoras de carne bovina do país.

JBS diz que sindicato impediu voto de funcionários

Em comunicado, a JBS disse que muitos funcionários de sua unidade em Greeley optaram por comparecer ao trabalho em vez de participar da greve convocada pelo UFCW Local 7 e que a empresa espera que o número continue aumentando nos próximos dias.

“Nossos funcionários querem estabilidade, querem sustentar suas famílias e mereciam a oportunidade de votar na oferta histórica da empresa — uma oportunidade que a liderança sindical lhes negou”, disse a companhia em nota. “Estamos pagando todos os membros da equipe que compareceram ao trabalho e operando as instalações da melhor maneira possível nesta semana”, acrescentou.

Na nota, a JBS disse que trabalhou nos últimos oito meses para chegar a um acordo “equilibrado e responsável” com o UFCW Local 7. No entanto, conforme a empresa, o sindicato “encerrou abruptamente as negociações e cancelou unilateralmente o contrato existente”. Além disso, disse, os membros da equipe “nunca tiveram a chance de analisar ou votar a proposta da empresa”.

A companhia classificou a oferta apresentada ao sindicato como “sólida, competitiva” e alinhada ao acordo nacional alcançado em 2025 com a UFCW International. Tal acordo, segundo a JBS, já proporcionou “aumentos salariais significativos, uma aposentadoria segura e estabilidade financeira de longo prazo para mais de 25 mil membros da equipe da JBS” nos Estados Unidos.

“A recusa do Local 7 em permitir uma votação impede que os funcionários de Greeley tenham voz direta sobre seu próprio futuro”, afirmou a companhia no comunicado.

A empresa informou que qualquer funcionário que comparecer para o turno programado na unidade terá trabalho disponível e será remunerado. Também disse que, para garantir a continuidade da oferta e minimizar transtornos para consumidores e varejistas, está ajustando temporariamente a produção em toda sua rede, conforme necessário, utilizando a capacidade disponível em outras instalações.

A companhia finalizou dizendo que a JBS Greeley cumpre “integralmente” todas as leis trabalhistas e de emprego federais e estaduais. “Continuamos comprometidos com a comunicação aberta com os membros da nossa equipe e com a manutenção de uma operação segura, estável e confiável. Nosso foco é apoiar nossa força de trabalho, salvaguardar o futuro da unidade e continuar a atender nossos clientes e a comunidade sem interrupção.”

Fonte: The Colorado Sun e Globo Rural, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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