O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, atribuiu a atual situação econômica da Venezuela à proliferação de “teses de proteção ambiental”. Onyx deu a declaração após participar de evento promovido pelo Grupo Voto, em São Paulo. Na opinião do ministro, há um componente ideológico de esquerda no discurso de proteção ambiental.
“As mesmas teses de proteção ambiental aplicadas no Brasil nos últimos 16 anos [durante os governos do PT] foram aplicadas na Venezuela. Deu no que deu. Então, o que se está fazendo no Brasil é dentro da lei para proteger o país”, afirmou.
Para o chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro, “não podemos ser ingênuos” enquanto os europeus usam a questão ambiental para confrontar o capitalismo e estabelecer barreiras ao crescimento do Brasil.
“Desde que caiu o muro de Berlim [em 1989] e a União Soviética fracassou, uma das vertentes pela qual a esquerda europeia migrou foi a questão ambiental”, disse. “E a outra coisa é para estabelecer barreiras ao crescimento e ao comércio do Brasil em bens e serviços”, acrescentou.
Onyx disse que o tema ambiental se acirrou em razão de grande parte das Organizações Não Governamentais (Ongs) instaladas no Brasil serem “de matriz europeia”.
“Alguém se lembra da célebre frase que durante muitos anos foi usada nos Estados Unidos? Fazendas aqui, florestas lá. Isso foi amplamente divulgado. O que o nosso país tem hoje no caminho como sustentáculo para a prosperidade não é a tecnologia. O que nós geramos neste momento são as commodities”.
O ministro afirmou ainda que nos anos de 1980,1990 e 2000, a febre aftosa foi utilizada como um instrumento de proteção mundial para evitar exportações de carne e de grãos brasileiros.
“Só no vinho, os europeus gastam 1,4 bilhão de euros por ano para dar sustentação à produção europeia. Por que eles têm tanto interesse em criar dificuldades ao Brasil? O Brasil é o grande competidor em commodities, em bens minerais e é o último grande depósito da humanidade em biodiversidade”, disse.
“O Brasil é um país que cuida muito bem do seu meio ambiente. Nós não precisamos de lição de ninguém”, afirmou Onyx. Já sobre a medida provisória da liberdade econômica, Onyx minimizou a retirada de artigos sobre folgas aos domingos.
“O Estado brasileiro sempre foi imperial. Nós quebramos algo que historicamente prejudicava as liberdades das pessoas, e isso é muito maior que o problema dos domingos.”
Fonte: Valor Econômico.