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Para Rabobank, crise no agro‘vai piorar antes de melhorar’

O quadro de dificuldades financeiras dos produtores rurais ainda deve “piorar antes de melhorar”, na avaliação de Fabiana Alves, presidente do Rabobank Brasil. À margem do Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio, a executiva disse ontem, a jornalistas, que a guerra no Oriente Médio agrava o cenário, e que a recuperação do setor precisa passar por um avanço na profissionalização da gestão.

Segundo ela, o cenário vai piorar porque a taxa de juros não deve cair no ritmo antes esperado. Além disso, a guerra no Oriente Médio deve agravar as dificuldades no campo, com a alta dos fertilizantes, dos combustíveis, e até com riscos de desabastecimento. E, ainda que a situação arrefeça no médio prazo, ela acredita que a volatilidade vai persistir.

“A gente está num momento muito complexo em que tudo está acontecendo ao mesmo tempo. Isso para mim só mostra a necessidade de sofisticar a gestão, porque não vai ser diferente daqui cinco anos. Não tem promessa de que a gente vai voltar a ter um mundo estável de chuva, como era dez anos atrás”, defendeu.

Segundo ela, a falta de profissionalização faz com que os produtores não saibam a lucratividade de seu negócio e não tenham aproveitado o período de alta dos preços em anos recentes. “Depois de dois anos com 45% de margem bruta, onde está esse caixa?”, questionou.

Os produtores, avaliou, têm hoje uma gestão “pouco profissionalizada comparada ao tamanho da operação”, e por “operarem com três moedas: dólar, real e saca de soja”. “Há produtor com três safras passando pelo caixa, pagando conta velha, pagando a conta desta safra e adiantando a próxima safra, tudo no livro-caixa”, disse.

Para ela, é necessário um “programa de Estado” para fazer a transição de uma situação “menos profissional para algo mais formal”.

A executiva do banco holandês criticou o fato de existirem benefícios fiscais no Brasil para os produtores atuarem como pessoa física. “É um desincentivo à governança apropriada”, avaliou.

Ainda segundo Alves, a profissionalização dos agricultores passa pelo avanço das práticas de segurança climática. Durante debate no evento, ela ressaltou que o produtor que não prioriza ações de adaptação e resiliência “vai ser percebido como um cliente de maior risco pelo sistema financeiro”.

As instituições financeiras já fazem análise de risco climático de seus clientes do agronegócio, com base em dados de georreferenciamento, meteorológicos e de histórico de produção, acrescentou.

Ela lembrou, durante o debate, que a resolução 5267 do Banco Central, de 2025, que atualizou regras do Manual do Crédito Rural, “criou um arcabouço para que a gestão de risco seja rastreável e permita a alocação adequada do recurso público”. A norma obriga os bancos a usarem imagens de satélite na concessão do crédito rural. Outra obrigação aos bancos é a de divulgação de risco climático dos portfólios, citou.

“O risco climático deixou de ser um tema voluntário e passou a ser parte da gestão prudencial de risco para o sistema financeiro”, disse.

Ela criticou, porém, a falta de análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Segundo Alves, os bancos acabam realizando o cruzamento das informações por conta própria, encarecendo o crédito.

Fonte: Globo Rural.

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