Craig Morris: Alianças para aumentar a lucratividade do produtor
14 de novembro de 2002
Brangus presente em Bauru
14 de novembro de 2002

Parâmetros indicadores do nível de nitrogênio na planta

Nos últimos artigos deste Radar foi demonstrada a importância da adubação, principalmente nitrogenada, no sistema de produção. Apesar disso, é notória a dificuldade em se determinar as quantidades de fertilizante a serem aplicadas. Em parte, isso se deve à falta (ou pouca divulgação) de parâmetros para interpretação de resultados de análises de solo e planta para espécies forrageiras. No caso do nitrogênio, a situação é ainda mais complicada, pois, além da carência de parâmetros, os indicadores atualmente utilizados apresentam diversas limitações.

De modo geral, a adubação nitrogenada em áreas de pastagem é determinada com base no teor de matéria orgânica do solo e na expectativa de produção do pasto. Para outras culturas, estes indicadores têm sido substituídos por outros que indicam o nível de N no solo, em plantas individuais e em comunidades de plantas. Argenta et al. (2002), por exemplo, verificaram a eficiência de alguns parâmetros de planta (teor e acúmulo de N; leitura correspondente ao teor de clorofila na folha, avaliada com clorofilômetro; massa seca; e área foliar) como indicadores do nível de nitrogênio na cultura do milho. Segundo os autores, um indicador ideal deve reproduzir a relação do nível de nitrogênio no sistema solo/planta, ser capaz de detectar a deficiência ou o excesso de nitrogênio e ser de rápido diagnóstico para permitir a correção da deficiência na mesma estação de crescimento.

A partir dos resultados obtidos em uma série de experimentos, Argenta et al. (2002) concluíram que a leitura do clorofilômetro foi o indicador mais eficiente do nível de nitrogênio em praticamente todos os estádios de desenvolvimento da planta de milho. Além da boa correlação com o rendimento de grãos (Figura 1), este indicador apresenta as seguintes vantagens: a leitura pode ser realizada em poucos minutos, possibilitando um rápido diagnóstico da situação da cultura; o aparelho tem baixo custo de manutenção; não há necessidade de envio de amostras para laboratório; e é um método não destrutivo.

Figura 1: Relação da leitura do clorofilômetro e do teor de nitrogênio na folha-índice com o rendimento de grãos de milho no estádio de espigamento, em cinco experimentos de milho. Eldorado do Sul, RS, 1998/1999.

Adaptado de Argenta et al. (2002).

A leitura do clorofilômetro, no entanto, não prediz com precisão a quantidade de nitrogênio a ser aplicada, devendo ser associada a indicares do nível de nitrogênio no solo (Argenta et al. 2002).

Comentário dos autores: os métodos de diagnóstico e de predição de necessidade de adubação têm evoluído bastante nos últimos anos. Algumas instituições de pesquisa têm trabalhado no sentido de desenvolver estes métodos para plantas forrageiras, porém a aplicação prática destas informações ainda é bastante restrita. Este trabalho envolve a escolha dos indicadores mais adequados e que apresentam melhor correlação com a produção, a determinação da parte da planta a ser analisada e o estabelecimento de parâmetros para a interpretação dos resultados para as principais gramíneas forrageiras utilizadas. Resultados obtidos no Laboratório de Nutrição Mineral de Plantas da ESALQ/USP já permitem afirmar que as análises para diagnóstico de estado nutricional, em plantas forrageiras, devem ser feitas nas duas folhas mais novas expandidas. Considerando-se a importância da adubação em sistemas de produção animal e o impacto desta tecnologia no custo de produção, é essencial que estes métodos continuem sendo pesquisados e que sua aplicação prática seja amplamente difundida.

Comments are closed.