A Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) do Paraná recebeu apenas no final da tarde de ontem um documento – cópia do relatório que o Ministério da Agricultura enviou à União Européia -, contendo os trabalhos executados para prevenção da aftosa, com um anexo onde constam os exames laboratoriais indicando ausência da doença no Paraná. “Não é o laudo final, mas consta aqui o que nos interessa, o resultado do exame de epitélio, todos negativos”, explicou o diretor da secretaria, Newton Pohl Ribas.
O documento passou por uma análise ontem, na Seab, mas será detalhado hoje pela manhã em nova reunião. Apenas após ter certeza jurídica da cópia do relatório como documento oficial, a secretaria poderá flexibilizar as medidas adotadas nos quatro municípios interditados sob suspeita de ter foco de aftosa – Maringá, Grandes Rios, Amaporã e Loanda -, e nas 32 cidades vizinhas.
Ontem de manhã, o governador Roberto Requião disse que todas as medidas tomadas por seu governo, nos 22 dias de dúvidas sobre a existência de focos de febre aftosa no estado, atenderam às exigências internacionais.
Para o assessor econômico do Sindicarnes (Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Paraná), Gustavo Fanaya, a divulgação do laudo oficial é algo urgente. “O Paraná todo está ansioso. Só é possível confirmar as vendas de carne com osso para São Paulo, por exemplo, se o laudo for divulgado oficialmente e caírem as restrições”, afirmou.
Segundo ele, é preciso ainda que o teor do laudo do Mapa seja contundente. “Se for algo vago, pode ser que São Paulo não retire as restrições. É preciso que nada fique nebuloso”, comentou. Para Fanaya, o Paraná pode acabar se beneficiando com todo esse episódio envolvendo a suspeita de aftosa. “Feitas as contas, vamos sair no lucro no médio e longo prazo. Foi a cota de sacrifício que pagamos para mostrar a nossa real pecuária de corte, que é superior a de outros estados. E os exames laboratoriais mostraram isso”, arrematou.
Encontro define ações a serem adotadas no Estado
Ontem, em Curitiba, o diretor-geral da Secretaria da Agricultura, Newton Pohl Ribas, reuniu-se com representantes da Faep (Federação da Agricultura do Paraná), Ocepar (Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná), Sindileite (Sindicato das Indústrias de Laticínio do Estado do Paraná), Sindicarne (Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná), Fetaep (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná) e Avipar (Associação dos Abatedouros do Paraná).
No encontro foram discutidas as ações que a secretaria e as 35 entidades do Conesa (Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária) devem tomar a partir do momento que foi confirmada, oficialmente, a inexistência do vírus no Estado. “Vamos reforçar ainda mais nossas medidas de defesa sanitária. Não podemos esquecer que a situação em Mato Grosso do Sul está mais grave”, disse Ribas. Novo encontro está previsto para hoje.
O presidente do Sindicarnes, Péricles Salazar, defendeu que o transporte e comércio de produtos das regiões onde há propriedades interditadas sejam liberados o quanto antes. “O setor produtivo não pode continuar sendo prejudicado”, disse.
Fonte: Paraná OnLine (por Lyrian Saiki e João Alceu Ribeiro), adaptado por Equipe BeefPoint