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Pasto bem cuidado pode sequestrar mais carbono que Mata Atlântica, aponta pesquisa

Um estudo realizado pela Embrapa em parceria com o Instituto de Zootecnia de São Paulo (IZ) e o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) avaliando como as diferentes práticas de manejo de pastagens podem contribuir para recuperação de áreas degradas e para o sequestro de carbono apontou que a adubação nitrogenada, o consórcio com leguminosas e o pastejo rotacionado podem levar a taxas de sequestro de 3,3 a 4,4 toneladas de carbono por hectare ao ano e superar o estoque de carbono de áreas de mata nativa no longo prazo.

De acordo com Cristiano Andrade, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente e orientador da dissertação de mestrado de Thais de Carvalho, autora do estudo, as elevadas taxas de sequestro de carbono verificadas são possíveis nos primeiros anos após a adoção de melhores práticas de manejo, reduzindo com o passar dos anos até atingir os valores encontrados antes na conversão.

Para avaliar os efeitos da conversão, foram usadas áreas pareadas entre mata e pasto, com mesmo tipo de solo, usando amostras de solo de até um metro de profundidade. Dentre os experimentos com melhor resultado, está o manejo de pastejo de lotação contínua realizado no Instituto de Zootecnia de Nova Odessa, no interior do Estado.

Nele, os animais permaneceram em torno de 45 dias com o pasto marandu a uma altura de 30 a 40cm gerando um estoque de carbono na camada de até um metro 35% superior à encontrada na área de mata. Segundo a pesquisadora, Thais de Carvalho, outras pesquisas já apontaram um maior estoque de carbono em solos com pastagem comparado à vegetação nativa, mas no caso da Mata Atlântica a maior parte dos trabalhos evidencia o contrário.

“A entrada e estabilização profunda de C no solo sob pasto pode ser explicada por meio da dinâmica de renovação do sistema radicular da forrageira sob pastejo e com relação ao vigor do próprio sistema radicular. As raízes remanescentes e senescentes após cada pastejo seguirão no processo de decomposição e parte ficará estabilizado no solo na forma de matéria orgânica”, explica o estudo.

Já na área experimental da USP em Pirassununga, também no interior do Estado, foram avaliadas a pastagem diferida e a pastagem rotacionada com uma área total estabelecida de 16 hectares, dispostas em oito unidades definidas com pastejo diferido, pastejo diferido e suplementação proteica, pastejo rotacionado e pastejo rotacionado e suplementação proteica com taxas de sequestro de 3,7 a 4,4 toneladas de carbono por hectare ao ano.

“Isso ocorreu devido à sustentabilidade do sistema de método de pastejo, no caso o diferido em que a forragem é preservada por um tempo preparada para a entrada do bovino no período de escassez da forragem e o pastejo rotacionado que é quando a entrada do bovino entrar para rebaixar a forrageira, alternando em ocupação e descanso da forrageira”, conclui o estudo.

Fonte: Globo Rural.

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