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Perspectivas são otimistas, apesar da aftosa

As perspectivas para a pecuária brasileira para 2006 seguem otimistas, apesar dos focos de febre aftosa registrados no Mato Grosso do Sul. A expectativa do mercado é que novo ciclo pecuário tenha início no próximo ano com retomada da valorização dos preços, processo que pode se estender até 2008, segundo Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria.

A perspectiva de alta das cotações da arroba do boi baseia-se na redução do rebanho brasileiro, devido ao abate de matrizes, de acordo com o presidente do Fórum Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira.

Segundo projeção da Scot Consultoria, o rebanho deve encolher para 189,46 milhões de cabeças em 2006, ante a estimativa de 191,37 milhões de cabeças deste ano. “Após três anos de abate de matrizes, o mercado está mais ajustado”, considerou Rosa.

O sacrifício das matrizes implica em menor produção de bezerros e, conseqüentemente, menos bois. “Cada ciclo leva de quatro a seis anos. Havia a expectativa de que a reversão do ciclo fosse ocorrer no ano passado”, conta Geide Figueiredo Junior, do Instituto FNP.

Na avaliação de Figueiredo, mesmo com a descoberta recente de focos de aftosa no Mato Grosso do Sul, 2006 será um ano melhor para a pecuária. “Alguns frigoríficos exportadores estão adotando a estratégia de remanejar as unidades de abate para se resguardar dos embargos”, destaca o analista.

O Grupo Bertin reduziu pela metade o abate das unidades de Naviraí (MS) e Lins (SP), redirecionando uma parcela da produção para as unidades de Mozarlândia (GO), Ituiutaba (MG), Votuporanga (SP), Itapetinga (BA) e Marabá (PA). Já o Friboi anunciou remanejamento da produção do Mato Grosso do Sul para as unidades de Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Minas Gerais.

“Com a posição da Rússia definida em manter o embargo apenas para o Mato Grosso do Sul e a expectativa de que a União Européia possa rever as exportações de São Paulo e do Paraná, os embarques brasileiros não deverão ser prejudicados”, acredita Nogueira, da CNA.

A analista Amaryllis Romano, da Tendências Consultoria Econômica, lembrou que foi positivo para as exportações brasileiras de carnes o fato de o Mapa ter comunicado aos compradores internacionais, rapidamente, a descoberta do foco de aftosa em Eldorado (MS). Para ela, as preocupações com o mercado externo devem se voltar para a possibilidade de retração da demanda mundial por carnes em decorrência de problemas sanitários como a gripe de aves, que avança na Europa e “pode afastar consumidores”.

Segundo a Scot Consultoria, os embarques de carne bovina somarão 1,9 milhão de toneladas este ano, 13,6% a menos que as 2,2 milhões de toneladas previstas.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Chiara Quintão), adaptado por Equipe BeefPoint

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