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Preço da carne bovina sobe em outubro e alta pode ser tendência

Depois de 20 meses de deflação praticamente ininterrupta, as carnes bovinas embicaram para cima em outubro, tendência que parece ter vindo para ficar.

O valor pago ao produtor, que havia recuado cerca de 22%, deu um salto de 10% mês passado. No varejo, a picanha acumulava queda de 7% até setembro, porém mudou de sinal e subiu 1,5% em outubro.

Talvez seja a hora de congelar uns quilinhos para o período de férias, já que a partir de janeiro o varejo tende a manter os preços dos melhores cortes ou mesmo subir, diante do maior apetite por carnes bovinas. Ao contrário da suína e de aves, cuja demanda cresce nas festas de fim de ano.

“Nos próximos meses, devemos continuar a ver aumentos tanto no atacado quando no varejo”, avalia o economista Matheus Peçanha, pesquisador do Ibre/FGV.

Ele destaca que, durante o período de deflação, apenas quatro meses tiveram “ligeiros repiques” (julho e dezembro de 2022; abril e julho de 2023).

“Fora esses meses, houve queda em sequência no valor da carne. Porém, agora em outubro, a tendência foi revertida. E foi uma reversão de tendência mesmo, não se trata mais um repique como os anteriores, porque agora subiu quase 10% no atacado”, diz o economista.

O pesquisador do Ibre/FGV destaca os principais fatores que influenciaram o movimento, a começar pelo chamado ciclo da pecuária, que levou vários produtores a abater matrizes em 2022, ampliando a disponibilidade de carne, o que favoreceu a queda dos preços. “Com número menor de matrizes, menos bezerros nascem, o que acaba levando a uma reversão de tendência lá na frente. E agora chegamos justamente a esse segundo estágio”, diz ele.

Além da menor oferta e da sazonalidade, a cotação da soja também tem impacto relevante nas carnes, especialmente a partir de 2024, avalia Peçanha, por ser um item de maior peso entre os insumos da pecuária. Após fase de queda, o grão voltou a subir, com impacto na alimentação bovina.

Atacado e varejo

O pesquisador do Ibre/FGV destaca ainda as “duas velocidades” dos preços praticados pelo atacado e o varejo. “Quando o atacado sobe os custos, o varejo acompanha com muito mais rapidez do que ao repassar uma queda, que costuma ser bem mais lenta. Então houve a reversão logo em outubro, e o consumidor já sentiu essa diferença também já em outubro”, diz Peçanha.

“A cotação da carne vinha caindo desde o início, porém começou cair no varejo somente neste ano, ou seja, demorou quase um ano para essa consistente sair do atacado e chegar no varejo. Por outro lado, subiu neste mês (no atacado), e consumidor já está sentindo”, avalia o economista.

Demanda por carne bovina

A disposição dos brasileiros para consumir carnes bovinas acompanhou o movimento dos preços, em sentido contrário. Se durante a pandemia, com a carne bovina em alta, os consumidores substituíram o consumo por carnes mais baratas, em especial suína e de frango, neste ano a tendência mudou.

“Olhando para as nacionais, percebemos um aumento do consumo aparente de carne bovina. Houve uma substituição da carne vermelha principalmente pelo frango. Agora, apesar de o consumo de frango praticamente não ter se mexido, o de carne bovinas aumentou. Provavelmente as pessoas estão consumindo a mesma quantidade de carne de aves, porém, com o preço menor, passaram a consumir mais carne vermelha, mas não temos os dados de consumo efetivo disponíveis”, afirma o economista.

Fonte: Globo Rural.

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