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Preços do boi continuam estáveis no Paraná

O preço do boi gordo está em elevação antes do período da entressafra. O clima está ajudando o pecuarista a segurar o boi no pasto, situação que está aquecendo as cotações no mercado do Paraná. Para o analista da FNP Consultoria, José Vicente Ferraz, se não houver um período de seca como se esperava em junho e julho, este ano pode acontecer uma situação inédita que é a ausência de entressafra.

Se isso acontecer, os preços se sustentam em alta, mas também não haverá a alta acentuada no pico da entressafra em outubro e novembro.

Favorecido pelo clima, o pecuarista conseguiu reverter a queda de 10% nas cotações ocorridas durante o primeiro semestre e já está vendendo o boi gordo quase no mesmo preço que vendeu na virada de 2002 para 2003, em torno de R$ 57,00 a arroba. Na última semana, o boi gordo foi comercializado a R$ 56,00 no Paraná, praticamente o mesmo preço de oferta de São Paulo.

De acordo com Ferraz, o normal seria uma queda nos preços do boi entre junho e julho, caracterizados como os meses mais frios e secos do ano. Seria o período de desova dos animais do pasto. Ocorre que neste ano, o inverno foi ameno na maioria da regiões onde a pecuária é importante no País, o que tem contribuído para a melhora na qualidade das pastagens.

Nessas condições, o pecuarista está conseguindo reter os bois no pasto, sem prejuízo na alimentação, disse o analista.

As geadas pressionam o pecuarista a vender os animais, situação que derruba os preços num primeiro momento, mas em seguida eles sobem acima do normal, com a redução de animais no pasto.

Para Ferraz, a tendência no curto prazo para o mercado de boi gordo é de estabilidade das cotações em alta. O clima não está induzindo o pecuarista a vender os animais e, por outro lado, o frigorífico não consegue pagar mais pelo animal em função da ”violenta” redução do poder aquisitivo da população.

Ele não acredita em queda nas exportações brasileiras porque o mercado externo está importador. Ele prevê aumento nas exportações do Brasil, Argentina e Uruguai. Os países da América do Sul estão sendo favorecidos pela crise de oferta da Austrália, que perdeu o posto de maior exportador de carne em função da seca que está atingindo aquele País.

Segundo Ferraz, este ano as exportações devem ter um aumento de 20% em relação ao ano passado. A projeção é que em 2003 sejam exportadas 1,25 milhão de toneladas de carne. No primeiro semestre o País já exportou 638 mil toneladas.

Quanto ao preço, o analista destacou que o mercado de carne já está em baixa antes da entrada da Argentina no mercado. A carne industrializada está cotada em US$ 755 a tonelada e a carne in natura está US$ 1.270 a tonelada. ”Essas cotações ainda sustentam as exportações brasileiras”, disse.

Fonte: Folha de Londrina/PR (por Vânia Casado), adaptado por Equipe BeefPoint

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