Indicador do Boi DATAGRO – Boletim de 19-janeiro-2026
20 de janeiro de 2026

Produtores veem propriedades com ‘buracos’ de conectividade

Apenas 25,3% das propriedades rurais brasileiras têm conexão à internet em toda a área, segundo o “Mapa da Conectividade Rural — Desafios e Oportunidades para a Digitalização do Agro”, que o Banco do Brasil realizou no terceiro trimestre de 2025. Assim, três em cada quatro produtores (74,7%) não têm cobertura integral. De todo o contingente, 59,6% têm sinal apenas na sede da fazenda e 15,1% não têm qualquer tipo de cobertura.

Para elaborar o estudo, o BB entrevistou 277 produtores registrados na plataforma Broto, que pertence ao banco, dos quais 90% têm propriedades pequenas ou médias (até mil hectares) e 63% têm receita bruta anual de até R$ 360 mil. O levantamento mapeou também informações sobre tipo de conexão, qualidade do serviço, gargalos estruturais, impactos sobre os negócios e a demanda por tecnologia no campo.

O estudo mostra que a conectividade rural no Brasil continua a depender de soluções alternativas à infraestrutura tradicional, como redes extensas de fibra óptica e cobertura móvel de alta capacidade (4G e 5G), mais presentes nas cidades. A fibra óptica (23,7%) e os satélites (23,3%) lideram o acesso nas propriedades, seguidos por rádio (17,4%) e 4G (16,2%).

Tecnologias mais antigas, como o 3G, ainda representam 10,3% das conexões. Já o 5G, considerado fundamental para o avanço da automação agrícola, responde por apenas 9,1% dos acessos.

Na avaliação sobre a qualidade da conexão, 20,1% dos produtores classificaram sua internet como excelente, com velocidade e estabilidade adequadas para aplicações mais avançadas, e 31,1% disseram que o serviço é bom. Produtores que classificaram a internet como regular somaram 33,5%, e 15,3% disseram que a conexão é ruim. Na prática, quase metade dos produtores rurais (48,8%) convive com internet lenta ou instável, com quedas frequentes, o que compromete a adoção de tecnologias digitais no campo.

O interesse dos produtores rurais por inovação é alto. O levantamento mostra que mais de 95% dos produtores querem investir em soluções digitais, mas esbarram na limitação da infraestrutura de conectividade.

Dois terços dos entrevistados (66,1%) declararam que certamente investiriam mais em tecnologia se tivessem acesso a internet de qualidade em toda a fazenda, e 29,2% dos produtores condicionam esse investimento a uma boa relação custo-benefício. Apenas 4,7% dizem não ver necessidade.

“Muitos estudos já mostram que o produtor usa tecnologias digitais, mas faltava aprofundar o que esse ‘uso’ significa dentro da fazenda”, disse José Evaldo Gonçalo, principal executivo do Broto. “WhatsApp é tecnologia digital, mas WhatsApp não digitaliza uma propriedade rural e não é agricultura de precisão. Para falar de sensor, máquina conectada, gestão em tempo real e tomada de decisão baseada em dados, a internet precisa estar na lavoura ou no pasto, não só na sede”.

A limitação de conectividade tem impactos diretos sobre a competitividade das propriedades rurais. Dos produtores consultados, 87% disseram já ter perdido negócios, produtividade ou eficiência operacional por falta de conexão ou porque a qualidade da cobertura é baixa.

Ao todo, 49,1% dos produtores afirmaram que, às vezes, perdem oportunidades por não contarem com internet adequada, e 37,9% disseram que isso ocorre com frequência. Apenas 13% relataram nunca ter sido prejudicados.

“Conectividade é infraestrutura produtiva. Quando a internet falha, o produtor perde janela de decisão, eficiência e, muitas vezes, oportunidade de negócio”, avaliou o executivo.

De acordo com a pesquisa, os principais obstáculos para a melhoria da conectividade são estruturais e financeiros. Para 41,5% dos produtores, a falta de serviços e suporte técnico nas áreas rurais é o entrave mais comum, e 39,4% citaram o alto custo como o maior entrave para melhorar a conexão.

Fonte: Globo Rural.

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