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Quase 80% dos brasileiros exigem carne sustentável, mas nem todos aceitam pagar mais

Uma pesquisa realizada com mais de mil pessoas de todo o Brasil aponta que quase 80% dos brasileiros se preocupa tanto com a origem da carne bovina como com a forma como ela é produzida.

O levantamento, realizado pelo Instituto Qualibest e apresentado neste fim de semana no Simpósio Nutripura, em Mato Grosso, identificou que 78% dos entrevistados consideram importante ou muito importante que o produto seja produzido de forma sustentável.

Desses, 44% disseram que esse ponto é “muito importante” e 34% que o consideram “importante”. Além disso, 44% deles acham relevante saber a origem da carne e 33%, “muito importante”.

A pesquisa “O que o brasileiro pensa sobre a carne” foi encomendada pelo movimento “A Carne do Futuro é Animal”, criado em 2022 por produtores de Mato Grosso que hoje conta com 74 integrantes de 27 municípios do Estado. Juntos, eles abatem mais de 200 mil cabeças de gado.

A pesquisa também identificou que 34% dos entrevistados disseram não saber se a pecuária brasileira efetivamente avançou em práticas sustentáveis. O dado, na avaliação do movimento, indica uma “lacuna entre a expectativa do consumidor e a visibilidade das ações no campo”.

O movimento também considera que os resultados apontam para duas demandas: práticas de produção sustentáveis e comunicação clara sobre essas práticas.

“Produtores e indústrias que apresentarem evidências, como rastreabilidade, certificações, controles de bem-estar animal e relatórios de sustentabilidade, poderão agregar valor ao produto e reduzir a incerteza do consumidor. Ao mesmo tempo, é preciso transformar ações no campo em mensagens simples e verificáveis no ponto de venda”, afirmam os organizadores na nota.

O levantamento identificou que 80% das pessoas avaliam a carne produzida no Brasil como “boa” ou “ótima” e 91% afirmam que o consumo traz benefícios à saúde – 82% dos entrevistados destacaram a carne como fonte de proteínas e 57% citaram o aporte de nutrientes, como ferro e vitaminas.

Preço da sustentabilidade

Mesmo com grande parte dos consumidores considerando relevante a origem e a sustentabilidade da produção pecuária bovina, a parcela dos que não pagariam a mais pela carne para saber sua origem ainda é alta, 38%. Outros 44% disseram que aceitaria pagar “um pouco a mais” e só 19% afirmaram que pagaria mais.

Quando o atributo é certificação de sustentabilidade, 51% dos participantes disseram que aceitaria “pagar um pouco a mais” pela carne certificada, enquanto 27% não pagariam.

O levantamento buscou entender ainda o que os consumidores esperam da chamada “carne de futuro”, com a possibilidade de indicar até três prioridades. A redução do impacto ambiental foi a mais citada, por 47% dos participantes. Em seguida, ganhou destaque a segurança e qualidade, com menção de 40% dos entrevistados, seguida por sabor e maciez, mencionada por 37%.

Sobre as intenções de consumo, a maior parte dos entrevistados (72%) disse que manterá o nível atual de consumo de carne bovina nos próximos seis meses; 12% pretendem aumentar e 12% querem diminuir – dados que, na avaliação do movimento, sinalizam ao mesmo tempo oportunidade e risco.

As marcas que comprovarem práticas responsáveis podem conquistar consumidores, mas as que não se adequarem, podem perdê-los, avalia o movimento.

Fonte: Globo Rural.

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