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Restrições prejudicam imagem da carne Argentina

As fortes restrições às exportações de carne bovina que o Governo Argentino vem aplicando desde dezembro não somente estão gerando problemas no setor frigorífico local: muitos importadores e distribuidores de cortes bovinos argentinos na Europa estão começando a enfrentar sérios inconvenientes comerciais pela falta de disponibilidade do produto.

As fortes restrições às exportações de carne bovina que o Governo Argentino vem aplicando desde dezembro não somente estão gerando problemas no setor frigorífico local: muitos importadores e distribuidores de cortes bovinos argentinos na Europa estão começando a enfrentar sérios inconvenientes comerciais pela falta de disponibilidade do produto.

“La Pampa” é um restaurante e distribuidor de carne argentina. A empresa, localizada no município de Castelldefels (Barcelona), tem a representação na Espanha da carne argentina marca “Maredo”, que é uma importante cadeia de restaurantes na Alemanha (conta com mais de 80 estabelecimentos) que administra suas próprias importações do produto.

“A importação da Argentina não é feita diretamente por nós, mas sim, pela Alemanha e, depois, reenviam à Espanha”, disse o porta-voz do “La Pampa”, Jordi Romero. “De dois meses para cá, houve um pequeno aumento nos preços e nos avisaram para que nos preparássemos, já que haverá escassez de produtos e um forte aumento a partir desse mês”. Ele disse que, apesar de a qualidade não ser a mesma, a ideia é buscar outras alternativas em outros países produtores.

“É uma lástima que o que defendemos e lutamos para dar a esse produto excepcional o nome que merece como a melhor carne do mundo, por questões políticas de seu país, teremos que acabar dizendo que não podemos dispor dele, perdendo todo o mercado que empresas como a nossa tem aberto na Espanha”. O comércio varejista de “La Pampa” tem um toldo amarelo onde está escrito “Carne argentina fresca 100% natural”. Provavelmente, em pouco tempo isso será substituído por “carne sul-americana”.

Por outro lado, o representante da distribuidora de produtos argentinos “Rincón Gaucho”, localizada em Torremolinos (Málaga, Espanha), Marcelo Rodríguez, disse que as restrições às exportações de carnes aplicadas pelo Governo argentino “nos prejudicam e não somente na importação, mas também na comercialização ao ter tantas variantes nos preços”.

“De todas as formas, estamos acostumados a trabalhar com um país como a Argentina e sabemos que essas coisas ocorrem frequentemente, motivo pelo qual acreditamos que Uruguai, Brasil ou Irlanda, por terem uma política de exportação séria, nos ajudarão a superar esses desafios que a Argentina nos coloca”. Na página da empresa na internet, solicita-se aos clientes que, “devido à variação constante de preços da carne argentina, consultem os preços”. A disponibilidade de cortes argentinos no momento é nula.

Os problemas para importar carne bovina argentina começaram em 2006, quando o então presidente, Néstor Kirchner, decidiu interromper sem aviso prévio os envios dos produtos de carne em plena Copa do Mundo da Alemanha, deixando muitos pedidos realizados para cobrir a demanda turística gerada pela Copa não satisfeitos.

As empresas europeias mais comprometidas com as medidas do Governo kirchnerista são aquelas que armaram sua estrutura de negócios a partir do produto “carne argentina”. Essas firmas, justamente, são as que, por iniciativa própria, promovem a imagem argentina através de um de seus produtos emblemáticos. Por esse motivo, são as que mais tardam a desarmar estruturas comerciai quando enfrentam inconvenientes para administrar importações.

A reportagem é do Infocampo, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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