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Setor de carne bovina espera avanço em negociações com Japão e Coreia

A indústria exportadora de carne bovina espera que a influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ajude a destravar as negociações de décadas com dois mercados estratégicos que seguem fechados ao produto brasileiro: Japão e Coreia do Sul. Juntos, os países importam mais de 1 milhão de toneladas por ano, sobretudo dos Estados Unidos e da Austrália.

Uma possível abertura ao Brasil pode significar fôlego para diversificar os embarques e agregar valor a alguns cortes em momento de pressão no setor com as cotas impostas pela China, principal cliente brasileiro. A possibilidade mais madura é com o Japão. O processo com a Coreia ainda é um sonho mais distante e não deve ser encerrado em 2026, apesar dos avanços.

A estratégia do setor já deu certo com o Vietnã, que abriu seu mercado em março de 2025 após a visita de Lula ao país. Na ocasião, o Brasil fez concessões, como a autorização para importação de tilápia dos vietnamitas. Oito frigoríficos foram habilitados e já iniciaram as vendas ao Vietnã.

Em fevereiro deste ano, Lula esteve em Seul, capital da Coreia do Sul, e enfatizou o pedido de abertura do mercado a líderes políticos e empresários coreanos. “O Brasil vem trabalhando há quinze anos para obter acesso ao mercado de carne bovina coreano. O bulgogi, tradicional churrasco coreano, combina com uma carne de qualidade como a brasileira”, brincou Lula em discurso no país asiático.

“Estamos prontos para avançar nos procedimentos sanitários necessários para que o Brasil esteja no prato do cidadão coreano. Isso também permitirá que os maiores frigoríficos do mundo, que são brasileiros, se instalem e invistam aqui na Coreia”, afirmou na ocasião.

Missão ao Brasil

Com o “empurrão” de Lula, o governo da Coreia do Sul firmou compromisso de enviar uma missão para realizar auditoria no Brasil ainda neste ano. “A notícia é boa, plantamos a abertura do mercado, pois se comprometeram a vir para o Brasil”, disse Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Ele ressaltou que não há data marcada, mas que a visita coreana pode dar um “impulso importante” na negociação.

Após a auditoria presencial, que será realizada por uma das duas agências estatais responsáveis pelas avaliações sanitárias, o processo com a Coreia do Sul é apenas documental. “Depois dessa visita, é tudo documental. Se quiser fazer a abertura em um mês, faz”, disse.

“Temos chance grande de o processo avançar rapidamente, mesmo que isso signifique um período entre seis meses e um ano após a visita”, afirmou Perosa. Por isso, a expectativa é que a abertura só ocorra a partir de 2027.

A Coreia do Sul importa cerca de 600 mil toneladas de carne bovina por ano, principalmente dos Estados Unidos e da Austrália. Além do compromisso para auditar o sistema sanitário brasileiro na negociação para exportação do produto, os coreanos se comprometeram a abrir seu mercado para os ovos do Brasil.

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, apontou ainda avanços na relação com a Coreia do Sul com a confirmação de auditorias para abertura para exportação de uvas e para novas habilitações de estabelecimentos para venda farinhas de origem animal e carne suína.

“Também houve promessa de resposta em três semanas para a habilitação de 15 novos estabelecimentos de aves, um aumento de 33% no número de plantas habilitadas, caso se confirme”, disse.

O Japão, por sua vez, enviará uma missão técnica para auditoria no sistema sanitário brasileiro entre a última semana de março e a primeira de abril, apurou a reportagem. O governo japonês pediu discrição com a agenda no Brasil, que não foi divulgada.

A auditoria será concentrada nos três Estados da região Sul, apesar de pedidos do Brasil para incluir Rondônia e Acre. Recentemente, o Ministério da Agricultura enviou respostas a um questionário prévio com detalhes sobre os procedimentos adotados na fiscalização.

Pessoas a par das tratativas avaliam que uma eventual abertura de mercado vai levar em consideração a posição do Mercosul na relação com o Japão. A Argentina já tem autorização para enviar carne da região da Patagônia, mas o local concentra cerca de 2% do rebanho do país. As negociações dos japoneses com os argentinos estão em um estágio mais avançado. O Uruguai já fornece ao Japão e o Paraguai iniciou conversas.

A avaliação de fontes que acompanham o tema é que a eventual abertura para o Brasil estará em um pacote para atender o bloco sul-americano e não de forma isolada. Pesa a favor dos brasileiros o status sanitário de país livre de febre aftosa sem vacinação, condição melhor que a da Argentina.

Há leituras também de que o aval depende de costuras políticas entre Tóquio e os Estados Unidos, principal fornecedor de carne bovina ao Japão, que vê a concorrência aumentar nesse mercado com as negociações em tempos de guerra tarifária.

O Japão vive um momento de alta na inflação de alimentos. Com a economia estagnada, o poder de compra da população está em queda, o que afeta o consumo de carne bovina. No país asiático, o produto é mais caro que o frango, em proporção ainda maior que no Brasil. A competitividade da carne bovina brasileira em relação a outros fornecedores pode ser um atrativo a mais nesse cenário.

Fonte: Globo Rural.

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