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23 de janeiro de 2026

Shake Shack aposta em cardápio hiperproteico e sinaliza nova fase da demanda por carne bovina

Foto: Shake Shack

A Shake Shack, uma das principais redes globais de hambúrguer premium, acaba de lançar um novo cardápio focado explicitamente em alto teor de proteína e baixo teor de carboidratos. Batizado de “Good Fit Menu”, o movimento vai muito além de uma ação de marketing: ele sinaliza uma tendência clara de mercado que reforça a centralidade da carne bovina na alimentação contemporânea — agora sob a lógica de performance nutricional.

Em vez de criar produtos totalmente novos, a estratégia da rede foi reorganizar itens já existentes, padronizando combinações e apresentando de forma transparente os macronutrientes (proteínas, carboidratos e calorias). O objetivo é reduzir o atrito para consumidores que priorizam ingestão proteica, especialmente públicos ligados a academia, emagrecimento e saúde metabólica.

Hambúrguer com 50g de proteína: novo padrão no fast casual

Algumas opções do novo menu chamam atenção pelos números raros até mesmo para padrões de fast food:

  • Double SmokeShack Lettuce Wrap: 52 g de proteína e cerca de 5 g de carboidratos
  • Double Avocado Bacon Burger Lettuce Wrap: 51 g de proteína e cerca de 4 g de carboidratos
  • Gluten-Free Double ShackBurger: 47 g de proteína
  • Chicken Shack Lettuce Wrap: 27 g de proteína
  • Single ShackBurger Lettuce Wrap: 23 g de proteína

Todas as versões utilizam hambúrgueres duplos de carne bovina Angus, agora servidos majoritariamente em folhas de alface no lugar do pão, reforçando o apelo low carb.

Na prática, isso coloca o hambúrguer como uma refeição funcional de alta proteína, comparável a pratos tradicionalmente associados à dieta esportiva.

Da “comida indulgente” à “proteína estratégica”

Historicamente, redes de hambúrguer eram associadas a indulgência, conveniência e prazer. O que muda agora é o reposicionamento semântico da carne: ela deixa de ser apenas “sabor” e passa a ser comunicada como nutriente central da dieta.

O novo discurso da Shake Shack dialoga diretamente com tendências globais como:

  • aumento do consumo de dietas high protein,
  • popularização de medicamentos para emagrecimento (GLP-1),
  • preocupação com manutenção de massa muscular,
  • busca por alimentos com maior densidade nutricional.

Mesmo entidades como Harvard School of Public Health e CDC apontando que, em média, os americanos já consomem proteína suficiente, a recomendação recente para públicos em rápido emagrecimento é justamente aumentar ingestão proteica para evitar perda muscular.

Ou seja: o mercado não está pedindo menos carne. Está pedindo carne com propósito nutricional explícito.

O que isso sinaliza para a cadeia da carne bovina

Para o produtor de carne, o movimento é altamente relevante por três motivos estratégicos:

1. Reforço estrutural da demanda

A carne bovina segue sendo o alimento mais eficiente para entregar proteína completa, com alta biodisponibilidade. Em um cenário onde proteína vira argumento central de compra, a carne se fortalece frente a ultraprocessados vegetais e blends.

2. Premiumização via nutrição, não só via sabor

O valor agregado não está mais apenas em marmoreio, corte ou experiência gourmet, mas em:

  • gramas de proteína por porção,
  • densidade nutricional,
  • adequação a dietas específicas (low carb, keto, cutting).

Isso abre espaço para novas narrativas de marketing da carne, inclusive no varejo.

3. Mudança no discurso do consumidor urbano

O consumidor urbano de alta renda — principal público da Shake Shack — passa a enxergar o hambúrguer como:

“refeição funcional de alta proteína”,
e não mais como “fast food ocasional”.

Essa mudança de percepção é ouro para toda a cadeia.

Mais do que tendência, um reposicionamento cultural

O caso da Shake Shack ilustra um movimento maior do food service global:
menos discurso ideológico sobre alimentação, mais discurso biológico.

Não se fala mais em “comer leve” ou “comer saudável” de forma abstrata. Fala-se em:

  • proteína,
  • carboidrato,
  • calorias,
  • performance corporal.

E nesse novo vocabulário, a carne bovina é protagonista natural.

Para o produtor, a mensagem é clara: o mercado não está caminhando para a exclusão da carne, mas para sua revalorização sob uma lógica científica e funcional.

A proteína virou ativo estratégico — e a carne é, cada vez mais, o principal veículo desse ativo.

Fontes: NRN e GainGoat, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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