
Foto: Shake Shack
A Shake Shack, uma das principais redes globais de hambúrguer premium, acaba de lançar um novo cardápio focado explicitamente em alto teor de proteína e baixo teor de carboidratos. Batizado de “Good Fit Menu”, o movimento vai muito além de uma ação de marketing: ele sinaliza uma tendência clara de mercado que reforça a centralidade da carne bovina na alimentação contemporânea — agora sob a lógica de performance nutricional.
Em vez de criar produtos totalmente novos, a estratégia da rede foi reorganizar itens já existentes, padronizando combinações e apresentando de forma transparente os macronutrientes (proteínas, carboidratos e calorias). O objetivo é reduzir o atrito para consumidores que priorizam ingestão proteica, especialmente públicos ligados a academia, emagrecimento e saúde metabólica.
Algumas opções do novo menu chamam atenção pelos números raros até mesmo para padrões de fast food:
Todas as versões utilizam hambúrgueres duplos de carne bovina Angus, agora servidos majoritariamente em folhas de alface no lugar do pão, reforçando o apelo low carb.
Na prática, isso coloca o hambúrguer como uma refeição funcional de alta proteína, comparável a pratos tradicionalmente associados à dieta esportiva.
Historicamente, redes de hambúrguer eram associadas a indulgência, conveniência e prazer. O que muda agora é o reposicionamento semântico da carne: ela deixa de ser apenas “sabor” e passa a ser comunicada como nutriente central da dieta.
O novo discurso da Shake Shack dialoga diretamente com tendências globais como:
Mesmo entidades como Harvard School of Public Health e CDC apontando que, em média, os americanos já consomem proteína suficiente, a recomendação recente para públicos em rápido emagrecimento é justamente aumentar ingestão proteica para evitar perda muscular.
Ou seja: o mercado não está pedindo menos carne. Está pedindo carne com propósito nutricional explícito.
Para o produtor de carne, o movimento é altamente relevante por três motivos estratégicos:
A carne bovina segue sendo o alimento mais eficiente para entregar proteína completa, com alta biodisponibilidade. Em um cenário onde proteína vira argumento central de compra, a carne se fortalece frente a ultraprocessados vegetais e blends.
O valor agregado não está mais apenas em marmoreio, corte ou experiência gourmet, mas em:
Isso abre espaço para novas narrativas de marketing da carne, inclusive no varejo.
O consumidor urbano de alta renda — principal público da Shake Shack — passa a enxergar o hambúrguer como:
“refeição funcional de alta proteína”,
e não mais como “fast food ocasional”.
Essa mudança de percepção é ouro para toda a cadeia.
O caso da Shake Shack ilustra um movimento maior do food service global:
menos discurso ideológico sobre alimentação, mais discurso biológico.
Não se fala mais em “comer leve” ou “comer saudável” de forma abstrata. Fala-se em:
E nesse novo vocabulário, a carne bovina é protagonista natural.
Para o produtor, a mensagem é clara: o mercado não está caminhando para a exclusão da carne, mas para sua revalorização sob uma lógica científica e funcional.
A proteína virou ativo estratégico — e a carne é, cada vez mais, o principal veículo desse ativo.
Fontes: NRN e GainGoat, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.