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Supermercados de SP tiveram aumento das vendas em junho

As vendas dos supermercados deram um salto em junho, refletindo a recuperação do emprego e da renda, já apontada por vários indicadores. No mês passado, o faturamento real das redes com lojas na Região Metropolitana de São Paulo, o principal mercado consumidor do País, cresceu 11,02% em relação a igual período de 2003, segundo a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio). Trata-se da maior taxa de crescimento do ano e dos últimos 14 meses registrada pelo setor. Em abril de 2003, as vendas dos supermercados paulistanos tinham aumentado 17%, descontada a inflação.

“Houve reação muito boa nas vendas, por conta do aumento do emprego, da renda e dos dissídios”, afirma a diretora da Assessoria Econômica da entidade, Fernanda Della Rosa. Ela argumenta também que as facilidades de pagamento a prazo oferecidas pelos supermercados, especialmente os hipermercados que revendem bens duráveis, como geladeiras, fogões e computadores, impulsionaram as vendas.

As redes confirmam a reação, especialmente no segmento de alimentos e em lojas localizadas em bairros mais pobres de São Paulo, sinal de reação na renda. A rede D’Avó, por exemplo, com dois hipermercados e cinco supermercados na Zona Leste, registrou neste mês crescimento de 5% no faturamento ante o mesmo período de 2003 e de 8% na comparação com junho.

De acordo com a empresa, foi a primeira taxa significativa do ano. O desempenho foi puxado pelas lojas de supermercados que vendem alimentos e produtos de limpeza, que ampliaram em 11% o volume de negócios no período. Nos hipermercados, o acréscimo foi menor, de 6% em relação ao mesmo mês de 2003.

A diretoria da empresa informa que a reação foi maior nas vendas de alimentos básicos. Além disso, o consumidor voltou a comprar as marcas líderes, mais caras. Por isso, o valor da venda média cresceu 2,5%.

Apesar de não dispor de números, o diretor de Marketing do Sonda Supermercados, Júlio César Lopes, confirma a reação nas lojas da periferia. “Consigo perceber que as vendas das nossas lojas que ficam no Itaim Paulista e na Vila São José, na periferia, têm neste mês crescimento mais significativo”.

A novidade, segundo o diretor de Operações das redes Big/Nacional, do Grupo português Sonae, Manoel Araújo, é que desde junho as vendas na segunda quinzena do mês começaram a reagir. Até maio, o volume de negócios despencava logo após o dia 15. “Isso pode ser sinal de que a economia está melhorando”. De janeiro a junho, a rede vendeu 20% mais que no mesmo período de 2003. Só em junho, o acréscimo foi de 13%. No mês passado, a venda de alimentos cresceu 17% em relação ao mesmo mês de 2003.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos Dietéticos, Carlos Eduardo Gouvêa, diz que a retomada nas vendas de alimentos já foi captada nos iogurtes dietéticos. Na empresa que ele preside, a Suporte Produtos Nutricionais, em junho, o faturamento de cereais para criança cresceu quase 50% em relação ao mesmo mês de 2003. “O cereal matinal é um produto de maior valor, que cresce com a recuperação da renda”.

Apesar de os números globais apontarem a retomada do consumo e das vendas, o paulistano continua reticente com o quadro econômico e mantém o freio de mão puxado na hora de ir às compras. A dona-de-casa Maria Amélia Polozer, diz que há seis meses vem controlando os gastos na ponta do lápis, desde que o marido perdeu o emprego. “Antes eu comprava mais pelas marcas”. Agora, Maria Amélia avalia mais o custo/benefício.

No caso do leite, por exemplo, ela se manteve fiel às marcas líderes, segundo ela, de melhor qualidade. Já na bolacha, arriscou trocar a marca. Hoje, gasta R$ 600 por mês no supermercado.

Antes de o marido ficar desempregado, a despesa chegava a R$ 1 mil. Apesar de ter conseguido adequar os gastos ao novo orçamento familiar, ela só vai voltar com mais ímpeto às compras quando a situação melhorar.

Fonte: O Estado de S.Paulo (por Márcia de Chiara), adaptado por Equipe BeefPoint

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