

Após o Brasil alcançar o posto de maior produtor mundial de carne bovina em 2025, ultrapassando os Estados Unidos, com 12,4 milhões de toneladas, a tendência para este ano é de um volume inferior ao do ano passado, segundo especialistas.
O momento de maior valorização do bezerro indica uma virada no ciclo da pecuária, o que tende a levar a uma redução no abate de fêmeas em 2026 – e, consequentemente, a uma menor oferta de carne, com impacto nos preços ao consumidor.
“Se essa quantidade (de abates) ficar estável, ou se ela diminuir, a tendência é que o preço da carne para o consumidor no mercado varejista suba”, afirma o CEO da Scot Consultoria, Alcides Torres.
Há quem acredite, no entanto, que o ganho de produtividade vai manter a produção de carne mais ou menos no mesmo nível do ano passado. Torres faz parte do grupo que vê um cenário de preços mais elevados, de modo que a queda nos abates não seja compensada pela produtividade. O CEO da Scot, no entanto, não arrisca um percentual de alta no preço da carne.
“Nós monitoramos o preço da carne no Brasil todo, e tem ocasiões em que em centros habitacionais, como São Paulo, ela está sendo vendida mais barata do que o custo de compra do supermercado. Em compensação, tem períodos em que cai a cotação da arroba do boi gordo, a carne no mercado atacadista está mais barata, e não cai no mercado varejista”, resume.
Por outro lado, alguns fatores podem impulsionar o consumo de carne bovina em 2026. Torres cita como exemplo a menor taxa de desemprego registrada na série histórica do IBGE recentemente e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
A tendência de menor produção em 2026 é corroborada pelo professor Júlio Barcellos, coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Barcellos ressalta que o ano de 2025 coincidiu com um baixo consumo no Brasil e dificuldade de retomada no ciclo da pecuária por conta de problemas na agricultura, em especial a desvalorização das commodities. Dentro deste cenário, muitos produtores precisaram fazer crédito com a pecuária, o que levou a um abate “exagerado” de animais durante o ano passado.
“Por uma mensuração de apenas um ano não podemos dizer que continuaremos (como o maior produtor mundial). Isso é circunstancial, porque todo esse excesso de abate de 2025 faltará em 2026. E essa projeção de menor abate vai levar a uma redução na produção de carnes”, observa o professor.
Com aumento de consumo em alguns países, em especial no Oriente Médio e África, o cenário é de desequilíbrio na oferta em relação à demanda, o que aponta para preços superiores, segundo o especialista.
“Esses preços superiores favorecem e estimulam o pecuarista em 2026 a vender menos gado, porque a receita que ele precisa para manter e alavancar sua atividade agora é feita com menos gado abatido, porque esse gado vale mais”, resume.
Um bom termômetro neste sentido é a cotação do boi gordo. Há exatamente um ano, a cotação da arroba estava em R$ 311, segundo o indicador Cepea/Esalq. Nesta sexta-feira (6/3), o preço estava em R$ 346,05, alta de 11,27% em 12 meses.
Já o bezerro, que um ano atrás valia R$ 2.630,21 no Mato Grosso do Sul, nesta sexta-feira estava cotado a R$ 3.267,63 – alta de 24,23%.
Fonte: Globo Rural.