
O mais recente relatório de Cattle on Feed divulgado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) indica estabilidade no número de bovinos em confinamento nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que traz sinais importantes sobre a dinâmica recente de oferta.
Segundo o levantamento, o total de animais em confinamento em 1º de abril de 2026 foi de 11,58 milhões de cabeças, praticamente em linha com as expectativas do mercado e equivalente a 99,7% do registrado no mesmo período do ano anterior.
Os dados mostram que as colocações de animais em março somaram 1,71 milhão de cabeças, o que representa cerca de 93% do volume observado em março de 2025 e levemente abaixo das estimativas pré-relatório.
No acumulado dos últimos seis meses, as colocações totalizam 10,25 milhões de cabeças, ou 94% do registrado no mesmo período do ano anterior.
Já as saídas de animais para abate alcançaram 1,63 milhão de cabeças em março, o equivalente a 94,5% do ritmo de 2025 e acima das projeções do mercado.
Esse resultado chama atenção porque ocorreu mesmo com a paralisação parcial de uma importante unidade de processamento: a planta da JBS em Greeley, no Colorado, permaneceu fechada por aproximadamente metade do mês devido a uma greve de trabalhadores.
O fato de tanto entradas como saídas estarem abaixo do ano anterior sugere um ritmo mais moderado de movimentação nos confinamentos, ainda que as saídas tenham superado as expectativas, mesmo diante de limitações operacionais.
Outro destaque do relatório está no volume de animais com maior tempo de permanência nos confinamentos.
Os bovinos com mais de 150 dias somaram 3,63 milhões de cabeças, enquanto aqueles com 180 dias ou mais totalizaram 1,65 milhão. Em ambos os casos, trata-se dos maiores níveis já registrados na série histórica, independentemente do mês.
Esse aumento pode indicar um alongamento no tempo de permanência dos animais nos confinamentos, o que, por sua vez, pode estar relacionado ao ritmo de abate, à estratégia dos confinadores ou às condições de mercado.
O relatório também mostra que as novilhas representam 37,3% do total de animais em confinamento, uma queda de 1,5 ponto percentual em relação a janeiro.
Apesar da redução, o nível permanece alinhado com os padrões observados em anos recentes, como 2020, 2022 e 2025.
A manutenção desse patamar sugere que, até o momento, não há uma mudança estrutural clara na participação de fêmeas no confinamento.
No conjunto, os dados apontam para um cenário de relativa estabilidade no volume total de animais, combinado com um ritmo mais contido de reposição e níveis recordes de permanência nos confinamentos.
Esses fatores ajudam a compor o quadro da oferta de carne bovina nos próximos meses e devem seguir no radar do mercado, especialmente diante da interação entre disponibilidade de animais, capacidade de abate e comportamento dos preços.
Fonte: BEEF Magazine, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.