

A canchim é a segunda raça bovina a receber o selo Beef on Dairy (carne no leite) no Brasil, depois da angus. A certificação, denominada “Canchim on Dairy”, identifica touros da raça aptos a serem utilizados no cruzamento com vacas leiteiras, mestiças e girolandas, garantindo qualidade aos bezerros.
A estratégia é usar sêmen de touros de corte para obter animais com valor comercial mais alto para a produção de carne. De acordo com a pesquisadora Cintia Righetti Marcondes, da Embrapa Pecuária Sudeste, é uma oportunidade para produtores de leite ampliarem a renda, agregando valor aos bezerros (machos e fêmeas) excedentes que, em sistemas puramente leiteiros, costumam ter baixo valor de mercado.
“O objetivo é atender o produtor que deseja uma segunda fonte de faturamento, vendendo esses animais para corte. O canchim é uma raça terminal que, ao ser cruzada com vacas mestiças, traz melhor qualidade de carcaça, mais peso ao desmame e ao sobreano (novilho com mais de um ano). Além disso, é uma alternativa que agrega bem-estar animal, evitando o descarte de machos recém-nascidos, que passam a ser recriados e destinados ao abate”, explica Cintia.
Segundo o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso, o selo para a raça canchim representa um avanço importante para a identificação dos reprodutores mais adequados ao cruzamento com vacas leiteiras, já que será possível identificar de forma objetiva esses reprodutores, que podem ser direcionados às centrais de inseminação e ganhar destaque em leilões voltados a esse mercado.
Para um touro receber o selo Canchim on Dairy é preciso que atenda a critérios técnicos baseados em avaliações genéticas para garantir o desempenho e a segurança do cruzamento.
A base vem das avaliações do Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo). Quando a análise é rodada, são estabelecidos critérios restritivos, e o resultado indica se o touro pode ou não receber o selo para uso em vacas de leite.
“Os requisitos, além do peso ao nascimento (que deve estar entre os 40% melhores), incluem o ranking de ganho de peso do nascimento ao desmame e pós-desmame, onde selecionamos os 50% melhores animais. Na conformação, escolhemos os 30% melhores; no tamanho (frame), buscamos o intervalo entre 30% e 50% para evitar animais excessivamente pequenos ou grandes; e na área de olho de lombo, os 40% superiores”, detalha Cintia Marcondes.
O touro que atingir os critérios estabelecidos terá o selo no certificado de avaliação genética, que funciona como um guia para o produtor de leite e para as centrais de coleta e processamento de sêmen, com a identificação e comercialização de animais com características desejadas.
Essa chancela vai trazer vários benefícios, como reduzir o risco de partos difíceis, um fator crítico para a saúde da vaca leiteira; aumentar o valor de venda dos bezerros, criando um produto diferenciado; e melhorar a sustentabilidade do sistema, com a produção de carne com menor pegada ambiental por quilo produzido.
A iniciativa do Canchim on Dairy foi liderada pela Embrapa e os parceiros da Associação Brasileira de Criadores de Canchim (ABCCAN), Associação Nacional de Criadores “Herdbook Collares” (ANC) e o Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo).
Fonte: Globo Rural.