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15 de abril de 2026

O que está por trás do abate em massa de gado na Rússia?

Uma crise de saúde do gado na Rússia está chamando a atenção internacional. Inicialmente considerada como casos isolados de pasteurelose (septicemia hemorrágica) relatados no início de fevereiro de 2026 na Sibéria, agora há relatos de uma epidemia mais ampla de rebanhos se espalhando para oeste até o Volga e a região dos Urais, na Rússia.

A crescente emergência é notável não apenas pela escala da resposta, mas também pelas dúvidas sobre qual doença do gado as autoridades russas podem realmente estar enfrentando.

Em 19 de março, o Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS) do USDA começou a monitorar relatos de que autoridades veterinárias russas estavam respondendo a surtos de pasteurelose e possivelmente raiva entre bovinos, centrados no distrito de Kupinsky, em Novosibirsk. Os relatos indicam que as medidas de controle do governo russo escalaram para apreensões em grande escala de rebanhos, quarentenas, controle de movimentação e abate de animais em múltiplas áreas de Novosibirsk.

O abate, que se acredita ter começado no início de março, pode em breve alcançar centenas de milhares de animais, sem sinais de desaceleração. O alvo é principalmente o gado de corte e leite. O rebanho bovino do país é de cerca de 17 milhões de cabeças.

Relatórios do FAS sugerem que a escala da resposta indica um surto de algo muito mais sério do que pasteurelose — provavelmente febre aftosa (FMD). O vírus da febre aftosa é um patógeno altamente contagioso que afeta animais de casco fendido, incluindo bovinos, suínos e pequenos ruminantes.

Embora as suspeitas de febre aftosa ainda não tenham sido confirmadas por autoridades russas, a pasteurelose normalmente é manejável com tratamento, o que não justificaria o abate em massa. Além disso, o fato de as autoridades veterinárias russas terem declarado estado de emergência na região de Novosibirsk está levantando suspeitas internacionalmente.

A família de Jamila Jaxaliyeva cria gado na região do Cazaquistão Ocidental, que faz fronteira com a Rússia. Relatos preocupantes estão surgindo da vizinha Astrakhan, de bovinos saudáveis sendo apreendidos pelas autoridades russas de produtores que, seguindo uma tradição de gerações, deixam seus rebanhos soltos.

As apreensões não parecem estar conectadas ao surto da doença, cujo epicentro permanece mais a leste, na Sibéria, embora Jaxaliyeva tenha confirmado que a crise escalou para uma ampla despovoação forçada de rebanhos em toda a Rússia, desencadeando protestos de produtores que afirmam que as medidas estão ameaçando seus meios de subsistência.

“Está muito ruim para os produtores russos — e para todos lá”, disse Jaxaliyeva. “Batendo na madeira, essa doença, seja lá o que for, ainda não cruzou a fronteira para o Cazaquistão — pelo menos até onde sabemos.”

Jaxaliyeva concordou com a ideia de que todos os sinais apontam para febre aftosa. Caso contrário, segundo ela, é difícil acreditar que as autoridades russas estariam tomando uma ação tão drástica de abater tantos animais em modo de crise.

“É difícil saber o que realmente está acontecendo”, disse Jaxaliyeva. “Mas estamos ouvindo que um produtor pode ir à cidade buscar correspondência pela manhã e voltar para casa e encontrar todo o seu rebanho destruído.”

Ela acrescentou que é bastante provável que animais não doentes estejam sendo incluídos no abate pelas autoridades russas, numa tentativa de criar uma ampla zona de segurança ao redor do surto.

A compensação também se tornou um ponto de tensão. Relatórios do FAS indicam que o governo russo está oferecendo cerca de 170 rublos por quilograma (aproximadamente US$ 2,09 por kg) como compensação pelos animais abatidos — um valor que muitos produtores argumentam não refletir o real valor de seus animais.

Enquanto isso, implicações comerciais começam a surgir. Em 17 de março, o Cazaquistão impôs restrições à importação de animais e ao trânsito de produtos de origem animal vindos da Rússia.

Jaxaliyeva observou que a fronteira entre Cazaquistão e Rússia é a mais longa fronteira internacional contínua do mundo, com cerca de 4.750 milhas (aproximadamente 7.600 km). A fronteira se estende por toda a estepe eurasiática aberta, com poucas barreiras naturais. Ela descreveu a paisagem e o clima como semelhantes aos do centro e norte de Dakota do Norte.

Ela teme que produtores russos possam considerar mover animais ilegalmente para o Cazaquistão para escapar do abate imposto pelas autoridades russas.

A situação é ainda mais complicada por preocupações sobre a eficácia da vacina contra febre aftosa na Rússia e a efetividade das estratégias de controle da doença no país, ameaçando o status de livre de aftosa da Rússia. Em 29 de maio de 2025, a Organização Mundial de Saúde Animal reconheceu a última zona do país (Sibéria Ocidental/Urais) como livre de febre aftosa, onde a vacinação é praticada.

O relatório do USDA destacou, no entanto, que veterinários da região acreditam que as vacinas atuais são inadequadas e talvez até prejudiciais aos bovinos.

Há insinuações de que o vírus da febre aftosa faz parte do arsenal de armas biológicas herdado pela Rússia da União Soviética em 1991. O Instituto Nacional de Saúde dos EUA afirma que o exército russo ainda pode manter estoques armazenados de armas biológicas utilizáveis.

Mas o vírus da febre aftosa provou ser notoriamente difícil de replicar e preservar em laboratório. Além disso, o produto resultante tem sido considerado de virulência extremamente baixa, tornando improvável que esse surto recente, caso seja de fato aftosa, esteja relacionado ao uso do patógeno como arma biológica sistêmica.

Mas o vírus da febre aftosa provou ser notoriamente difícil de replicar e preservar em laboratório. Além disso, o produto resultante tem sido considerado de virulência extremamente baixa, tornando improvável que esse surto recente, caso seja de fato aftosa, esteja relacionado ao uso do patógeno como arma biológica sistêmica.

Fonte: BEEF Magazine, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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