
A União Europeia (UE) deixou o Brasil fora da nova lista de países autorizados a exportar carne e determinados produtos de origem animal ao bloco europeu. A decisão foi publicada nesta terça-feira (12) e passa a valer a partir de 3 de setembro de 2026.
O motivo oficial apresentado pela Comissão Europeia envolve as exigências sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos — incluindo antibióticos — na produção animal. Segundo o bloco europeu, o Brasil ainda não apresentou garantias suficientes de conformidade com as regras europeias.
A decisão ocorre poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, em 1º de maio, aumentando a repercussão política e comercial do anúncio.
As regras europeias proíbem o uso de antimicrobianos:
Segundo a Comissão Europeia, as exigências já valem para produtores europeus desde 2022 e passarão a valer também para exportadores estrangeiros a partir de setembro de 2026.
Em nota enviada à CNN Brasil, a porta-voz da Comissão Europeia, Eva Hrnčířová, afirmou que o Brasil precisará comprovar conformidade “durante toda a vida dos animais dos quais os produtos exportados se originam”.
Na prática, isso significa que a UE não está analisando apenas o produto final exportado. O bloco europeu quer garantias envolvendo:
A Comissão Europeia informou ainda que o Brasil poderá voltar à lista de países autorizados assim que comprovar conformidade com as exigências sanitárias europeias.
Apesar da exclusão da lista europeia, o Brasil já vinha implementando mudanças regulatórias relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária.
Em abril de 2026, o Ministério da Agricultura publicou as Portarias SDA/MAPA nº 1.600 e nº 1.617, estabelecendo novas restrições ao uso desses produtos na produção animal.
As medidas incluem:
As normas fazem parte de um movimento de adequação sanitária e alinhamento às exigências internacionais.
A sequência temporal chamou atenção:
Isso levanta duas interpretações possíveis:
A decisão tem peso econômico importante, mas especialistas observam que o impacto tende a ser menor do que a repercussão inicial sugere.
A União Europeia é um mercado relevante para a carne brasileira, especialmente em produtos de maior valor agregado, mas está longe de ser o principal destino das exportações do setor.
Segundo dados citados nas matérias publicadas pela Exame e Money Times:
A União Europeia também não aparece entre os maiores compradores em volume da carne bovina brasileira, embora seja considerada um mercado estratégico pelo valor agregado e pelas exigências sanitárias.
Além disso, a exclusão não foi apresentada pela Comissão Europeia como um embargo definitivo. O bloco afirmou que o Brasil poderá ser reincluído após comprovação técnica de conformidade.
O timing da decisão ampliou o debate político em torno do acordo entre Mercosul e União Europeia.
O acordo entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio de 2026 e vinha enfrentando forte resistência de agricultores europeus, especialmente na França. Diversos setores do agro europeu argumentam que produtores sul-americanos competem sob regras sanitárias, ambientais e produtivas diferentes das exigidas dentro da União Europeia.
O comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, afirmou que os produtores europeus seguem “alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo” e que é legítimo exigir os mesmos critérios dos produtos importados.
Ao mesmo tempo, a coincidência entre:
levantou discussões sobre o uso de barreiras sanitárias e regulatórias como instrumento de proteção de mercado.
Segundo a Comissão Europeia, a exclusão impede exportações para a UE de produtos como:
O governo brasileiro ainda poderá negociar tecnicamente a reinclusão do país na lista.
A própria Comissão Europeia afirmou que segue em diálogo com as autoridades brasileiras e que continuará trabalhando com o Brasil para alcançar adequação às exigências sanitárias europeias.
O prazo para eventual retorno dependerá:
Fontes: CNN Brasil, Exame Agro, Money Times, MAPA – Portaria SDA/MAPA nº 1.617/2026, Deutsche Welle Brasil e ABIEC.