
As exportações de carne bovina dos Estados Unidos totalizaram 89.783 toneladas em abril, uma queda de 11% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em valor, as vendas externas somaram US$ 780,6 milhões, recuo de 5%.
Embora as perspectivas para a retomada das exportações americanas para a China estejam melhorando, os resultados de abril ainda refletiram um bloqueio quase total do mercado chinês. Por outro lado, os embarques cresceram para destinos como Taiwan e Egito e registraram forte avanço para os países do Caribe, da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático) e para o Peru. Já outros mercados importantes apresentaram desempenho inferior ao observado há um ano.
As exportações de miúdos bovinos voltaram a ser um dos principais destaques. Em abril, os embarques alcançaram 25.314 toneladas, aumento de 20% em relação ao ano anterior. O México, principal destino em volume, importou US$ 114,7 milhões em miúdos bovinos norte-americanos, crescimento de 40%.
No acumulado de janeiro a abril, as exportações de carne bovina e miúdos bovinos dos Estados Unidos somaram 365.138 toneladas, volume 11% menor que o registrado no mesmo período de 2025. Em valor, as vendas atingiram US$ 3,13 bilhões, queda de 5%. No entanto, quando a China é retirada da conta, o cenário muda significativamente: o volume exportado apresenta leve alta de 0,3% e o valor cresce 7%.
Segundo Dan Halstrom, presidente e CEO da U.S. Meat Export Federation (USMEF), a demanda global pela carne bovina americana continua demonstrando grande resiliência, mesmo diante da oferta mais restrita e dos preços mais elevados. Ele ressalta, entretanto, que persistem desafios importantes, como o enfraquecimento das moedas da Coreia do Sul, Japão e países do Sudeste Asiático, além dos custos mais altos de energia, fatores que afetam a confiança dos consumidores e reduzem a renda disponível para gastos.
Entre os mercados de destaque, Taiwan manteve forte desempenho. Em abril, as exportações para o país atingiram 4.892 toneladas, crescimento de 9% sobre o mesmo período do ano anterior, enquanto o valor aumentou 3%, chegando a US$ 55,8 milhões. No acumulado do ano, os embarques para Taiwan somam 19.801 toneladas, alta de 19%, com receita de US$ 224,2 milhões, avanço de 11%. Os Estados Unidos seguem como principal fornecedor de carne bovina resfriada para o mercado taiwanês, detendo aproximadamente dois terços desse segmento.
No Caribe, as exportações cresceram impulsionadas principalmente pela demanda da República Dominicana, Bahamas e Antilhas Holandesas. Em abril, os embarques alcançaram 3.275 toneladas, aumento de 17%, enquanto o valor exportado saltou 35%, chegando a US$ 38,6 milhões. Entre janeiro e abril, as vendas para a região totalizaram 12.271 toneladas, alta de 8%, com valor de US$ 141,4 milhões, crescimento expressivo de 29%.
Os países da ASEAN também registraram forte expansão. Beneficiadas pela recuperação das compras da Indonésia e pelo fortalecimento da demanda do Vietnã, as exportações de carne bovina para a região atingiram 3.555 toneladas em abril, crescimento de 48%. O valor exportado aumentou 50%, alcançando quase US$ 30 milhões. No acumulado do ano, os embarques para a ASEAN somam 11.049 toneladas, avanço de 31%, enquanto a receita cresceu 38%, chegando a US$ 94,4 milhões.
As exportações de miúdos bovinos mantiveram ritmo forte ao longo do ano. Entre janeiro e abril, foram exportadas 105.968 toneladas, aumento de 16%, gerando receita de US$ 482,3 milhões. O crescimento foi liderado por mercados como Japão, México, Coreia do Sul, África do Sul, Peru e Vietnã.
A Coreia do Sul, principal mercado em valor para a carne bovina norte-americana, apresentou queda nos volumes importados. Em abril, os embarques somaram 20.206 toneladas, redução de 14%, enquanto o valor recuou 7%, para US$ 200,2 milhões. Mesmo assim, foi o segundo mês consecutivo em que o mercado sul-coreano superou a marca de US$ 200 milhões em compras. No acumulado do ano, as exportações para a Coreia do Sul totalizam 76.448 toneladas, queda de 6%, com receita de US$ 753,8 milhões, redução de 4%.
No Japão, as exportações de abril totalizaram 17.563 toneladas, volume 22% inferior ao do ano anterior. O valor caiu 15%, para US$ 140,1 milhões. Entre janeiro e abril, os embarques para o mercado japonês atingiram 74.959 toneladas, queda de 9%, enquanto a receita recuou 7%, para US$ 577 milhões. Os dados sugerem aumento das exportações de miúdos bovinos e redução dos cortes musculares, embora estatísticas japonesas indiquem uma mudança menos intensa do que mostram os dados norte-americanos.
O México apresentou estabilidade no acumulado do ano. Em abril, as exportações de carne bovina recuaram 3% em volume, para 17.062 toneladas, e 5% em valor, para US$ 102,2 milhões. No entanto, entre janeiro e abril, os embarques permaneceram praticamente estáveis em 72.860 toneladas, enquanto o valor cresceu 6%, alcançando US$ 464,9 milhões. Já os miúdos bovinos tiveram desempenho ainda melhor, com crescimento de 13% no volume exportado e de 22% no valor, atingindo 44.425 toneladas e US$ 130 milhões, respectivamente.
Na América Central, as exportações de abril somaram 1.967 toneladas, queda de 7%, mas o valor aumentou 2%, chegando a US$ 18,6 milhões. No acumulado do ano, os embarques para a região registram leve recuo de 1% em volume, totalizando 8.067 toneladas, enquanto a receita cresce 15%, alcançando US$ 81,3 milhões, impulsionada principalmente por Guatemala, Costa Rica e Panamá.
O Egito, mercado concentrado principalmente em fígados e outros miúdos bovinos, importou 2.695 toneladas em abril, aumento de 6%, com crescimento de 26% no valor, que atingiu US$ 6,7 milhões. Entre janeiro e abril, apesar da redução de 10% no volume, para 11.888 toneladas, a receita avançou 12%, alcançando US$ 28,1 milhões.
O Peru também registrou crescimento expressivo. Em abril, as exportações chegaram a 841 toneladas, alta de 60%, enquanto o valor aumentou 76%, aproximando-se de US$ 7 milhões. No acumulado do ano, os embarques praticamente dobraram, alcançando 2.761 toneladas e US$ 19,5 milhões, com crescimentos de 97% e 94%, respectivamente.
Apesar da redução no volume total exportado, o valor gerado pelas exportações por animal abatido continuou em patamar elevado. Em abril, esse indicador atingiu US$ 415,88 por cabeça, aumento de 5% em relação ao ano anterior. No acumulado de janeiro a abril, a média chegou a US$ 427,59 por cabeça, crescimento de 3%. As exportações representaram 12,5% da produção total de carne bovina dos Estados Unidos em abril e 9,6% da produção de cortes musculares. No acumulado do ano, esses percentuais ficaram em 13% e 9,8%, respectivamente, cerca de meio ponto percentual abaixo dos níveis observados no mesmo período de 2025.
Fonte: U.S. Meat Export Federation (USMEF), traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.