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12 de junho de 2026

Exportações de carne bovina dos EUA ficam abaixo do nível do ano passado

As exportações de carne bovina dos Estados Unidos totalizaram 89.783 toneladas em abril, uma queda de 11% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em valor, as vendas externas somaram US$ 780,6 milhões, recuo de 5%.

Embora as perspectivas para a retomada das exportações americanas para a China estejam melhorando, os resultados de abril ainda refletiram um bloqueio quase total do mercado chinês. Por outro lado, os embarques cresceram para destinos como Taiwan e Egito e registraram forte avanço para os países do Caribe, da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático) e para o Peru. Já outros mercados importantes apresentaram desempenho inferior ao observado há um ano.

As exportações de miúdos bovinos voltaram a ser um dos principais destaques. Em abril, os embarques alcançaram 25.314 toneladas, aumento de 20% em relação ao ano anterior. O México, principal destino em volume, importou US$ 114,7 milhões em miúdos bovinos norte-americanos, crescimento de 40%.

No acumulado de janeiro a abril, as exportações de carne bovina e miúdos bovinos dos Estados Unidos somaram 365.138 toneladas, volume 11% menor que o registrado no mesmo período de 2025. Em valor, as vendas atingiram US$ 3,13 bilhões, queda de 5%. No entanto, quando a China é retirada da conta, o cenário muda significativamente: o volume exportado apresenta leve alta de 0,3% e o valor cresce 7%.

Segundo Dan Halstrom, presidente e CEO da U.S. Meat Export Federation (USMEF), a demanda global pela carne bovina americana continua demonstrando grande resiliência, mesmo diante da oferta mais restrita e dos preços mais elevados. Ele ressalta, entretanto, que persistem desafios importantes, como o enfraquecimento das moedas da Coreia do Sul, Japão e países do Sudeste Asiático, além dos custos mais altos de energia, fatores que afetam a confiança dos consumidores e reduzem a renda disponível para gastos.

Entre os mercados de destaque, Taiwan manteve forte desempenho. Em abril, as exportações para o país atingiram 4.892 toneladas, crescimento de 9% sobre o mesmo período do ano anterior, enquanto o valor aumentou 3%, chegando a US$ 55,8 milhões. No acumulado do ano, os embarques para Taiwan somam 19.801 toneladas, alta de 19%, com receita de US$ 224,2 milhões, avanço de 11%. Os Estados Unidos seguem como principal fornecedor de carne bovina resfriada para o mercado taiwanês, detendo aproximadamente dois terços desse segmento.

No Caribe, as exportações cresceram impulsionadas principalmente pela demanda da República Dominicana, Bahamas e Antilhas Holandesas. Em abril, os embarques alcançaram 3.275 toneladas, aumento de 17%, enquanto o valor exportado saltou 35%, chegando a US$ 38,6 milhões. Entre janeiro e abril, as vendas para a região totalizaram 12.271 toneladas, alta de 8%, com valor de US$ 141,4 milhões, crescimento expressivo de 29%.

Os países da ASEAN também registraram forte expansão. Beneficiadas pela recuperação das compras da Indonésia e pelo fortalecimento da demanda do Vietnã, as exportações de carne bovina para a região atingiram 3.555 toneladas em abril, crescimento de 48%. O valor exportado aumentou 50%, alcançando quase US$ 30 milhões. No acumulado do ano, os embarques para a ASEAN somam 11.049 toneladas, avanço de 31%, enquanto a receita cresceu 38%, chegando a US$ 94,4 milhões.

As exportações de miúdos bovinos mantiveram ritmo forte ao longo do ano. Entre janeiro e abril, foram exportadas 105.968 toneladas, aumento de 16%, gerando receita de US$ 482,3 milhões. O crescimento foi liderado por mercados como Japão, México, Coreia do Sul, África do Sul, Peru e Vietnã.

A Coreia do Sul, principal mercado em valor para a carne bovina norte-americana, apresentou queda nos volumes importados. Em abril, os embarques somaram 20.206 toneladas, redução de 14%, enquanto o valor recuou 7%, para US$ 200,2 milhões. Mesmo assim, foi o segundo mês consecutivo em que o mercado sul-coreano superou a marca de US$ 200 milhões em compras. No acumulado do ano, as exportações para a Coreia do Sul totalizam 76.448 toneladas, queda de 6%, com receita de US$ 753,8 milhões, redução de 4%.

No Japão, as exportações de abril totalizaram 17.563 toneladas, volume 22% inferior ao do ano anterior. O valor caiu 15%, para US$ 140,1 milhões. Entre janeiro e abril, os embarques para o mercado japonês atingiram 74.959 toneladas, queda de 9%, enquanto a receita recuou 7%, para US$ 577 milhões. Os dados sugerem aumento das exportações de miúdos bovinos e redução dos cortes musculares, embora estatísticas japonesas indiquem uma mudança menos intensa do que mostram os dados norte-americanos.

O México apresentou estabilidade no acumulado do ano. Em abril, as exportações de carne bovina recuaram 3% em volume, para 17.062 toneladas, e 5% em valor, para US$ 102,2 milhões. No entanto, entre janeiro e abril, os embarques permaneceram praticamente estáveis em 72.860 toneladas, enquanto o valor cresceu 6%, alcançando US$ 464,9 milhões. Já os miúdos bovinos tiveram desempenho ainda melhor, com crescimento de 13% no volume exportado e de 22% no valor, atingindo 44.425 toneladas e US$ 130 milhões, respectivamente.

Na América Central, as exportações de abril somaram 1.967 toneladas, queda de 7%, mas o valor aumentou 2%, chegando a US$ 18,6 milhões. No acumulado do ano, os embarques para a região registram leve recuo de 1% em volume, totalizando 8.067 toneladas, enquanto a receita cresce 15%, alcançando US$ 81,3 milhões, impulsionada principalmente por Guatemala, Costa Rica e Panamá.

O Egito, mercado concentrado principalmente em fígados e outros miúdos bovinos, importou 2.695 toneladas em abril, aumento de 6%, com crescimento de 26% no valor, que atingiu US$ 6,7 milhões. Entre janeiro e abril, apesar da redução de 10% no volume, para 11.888 toneladas, a receita avançou 12%, alcançando US$ 28,1 milhões.

O Peru também registrou crescimento expressivo. Em abril, as exportações chegaram a 841 toneladas, alta de 60%, enquanto o valor aumentou 76%, aproximando-se de US$ 7 milhões. No acumulado do ano, os embarques praticamente dobraram, alcançando 2.761 toneladas e US$ 19,5 milhões, com crescimentos de 97% e 94%, respectivamente.

Apesar da redução no volume total exportado, o valor gerado pelas exportações por animal abatido continuou em patamar elevado. Em abril, esse indicador atingiu US$ 415,88 por cabeça, aumento de 5% em relação ao ano anterior. No acumulado de janeiro a abril, a média chegou a US$ 427,59 por cabeça, crescimento de 3%. As exportações representaram 12,5% da produção total de carne bovina dos Estados Unidos em abril e 9,6% da produção de cortes musculares. No acumulado do ano, esses percentuais ficaram em 13% e 9,8%, respectivamente, cerca de meio ponto percentual abaixo dos níveis observados no mesmo período de 2025.

Fonte: U.S. Meat Export Federation (USMEF), traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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