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Secretaria da Agricultura do RS apresenta avanços da rastreabilidade individual na Fenagen, em Pelotas

O Rio Grande do Sul já deu os primeiros passos para implantar a identificação individual obrigatória de bovinos e búfalos e pretende transformar a nova exigência nacional em uma vantagem competitiva para a pecuária gaúcha. As ações desenvolvidas pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) foram apresentadas pelo secretário Márcio Madalena nesta quarta-feira (1º/7), durante a 3ª Feira Nacional de Genética (Fenagen), em Pelotas.

O Estado desenvolve um projeto piloto para a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em dezembro de 2024. Com o reconhecimento internacional do Rio Grande do Sul como Zona Livre de Febre Aftosa sem Vacinação, obtido em 2021, a rastreabilidade busca fortalecer a sanidade animal, ampliar o acesso a mercados de maior valor agregado e aumentar a competitividade da carne gaúcha.

“O Rio Grande do Sul reúne condições para liderar esse processo. A rastreabilidade individual não deve ser vista apenas como uma obrigação, mas como uma oportunidade de agregar valor à produção, ampliar a competitividade e atender às exigências dos mercados mais qualificados”, afirmou Madalena.

Implantação gradual

Durante a apresentação, o secretário destacou que o Estado já tem experiência em sistemas de identificação e rastreabilidade, qualificando para o próximo passo na evolução do sistema de defesa agropecuária.

“Hoje a rastreabilidade por lotes já faz parte da rotina da pecuária brasileira. A identificação individual seguirá o mesmo caminho, sendo incorporada de forma gradual e planejada. O cronograma previsto permitirá que produtores, técnicos e órgãos de defesa se adaptem ao novo modelo com segurança, garantindo eficiência operacional e fortalecendo a estratégia sanitária e comercial da cadeia pecuária”, ressaltou. 

Desde 2024, a Seapi desenvolve um projeto piloto em propriedades rurais. Das 113 propriedades inscritas voluntariamente, 36 foram selecionadas para representar diferentes regiões e sistemas de produção. Atualmente, cerca de 9,3 mil bovinos já foram identificados em 25 municípios.

O novo sistema permitirá automatizar a Declaração Anual de Rebanhos, reforçar o combate ao abigeato, registrar o histórico sanitário individual dos animais e simplificar a emissão da Guia de Trânsito Animal eletrônica (GTA), integrada ao Sistema de Defesa Agropecuária (SDA).

O modelo adotará o padrão internacional ISO 11784/11785, substituindo o antigo Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov). Cada bovino e búfalo receberá um código único de 15 dígitos, vinculado a um brinco visual e a um dispositivo eletrônico com tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID). A identificação acompanhará o animal durante toda a sua vida produtiva.

“O projeto piloto tem permitido validar os sistemas e aperfeiçoar os processos para que a implantação ocorra de forma segura, eficiente e com benefícios concretos para toda a cadeia produtiva”, disse o secretário.

O cronograma nacional prevê a implantação do PNIB entre 2025 e 2032. A primeira etapa, até 2026, contempla a estruturação dos sistemas e o início da identificação de categorias específicas de animais. Na sequência, entre 2027 e 2029, ocorrerá a ampliação gradual da obrigatoriedade da identificação. A etapa final, prevista para 2032, deverá concluir a identificação individual de todo o rebanho nacional.

Da pecuária tradicional à digital

Madalena destacou ainda que a rastreabilidade individual representa uma mudança na gestão da atividade pecuária. Nas propriedades, o sistema reduz erros de contagem, automatiza a declaração de rebanhos, melhora o controle sanitário e fortalece o combate ao abigeato.

Para o mercado, a identificação individual amplia a capacidade de resposta a eventuais ocorrências sanitárias, facilita certificações e comprova a origem da produção, atendendo às exigências dos compradores internacionais e valorizando a carne produzida no bioma Pampa, por exemplo.

Como funciona

Cada animal recebe um brinco visual e um dispositivo eletrônico com chip RFID, ambos vinculados a um código único emitido pelo Mapa. As informações são lidas por equipamento eletrônico ou aplicativo de celular e enviadas automaticamente ao Sistema de Defesa Agropecuária.

Na emissão da GTA, a identificação dos animais é incorporada automaticamente ao documento, eliminando registros manuais. O sistema também garante a rastreabilidade de toda a cadeia, desde a fabricação do brinco até o abate ou o registro da morte do animal na propriedade.

Fonte: Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do RS.

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