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Exportações australianas de bovinos vivos caem quase 30% no primeiro semestre com pressão sobre mercado da Indonésia

As exportações australianas de bovinos vivos registraram forte queda no primeiro semestre de 2026, refletindo o cenário econômico mais desafiador enfrentado pela Indonésia, principal destino desse comércio. A combinação de preços mais altos do gado na Austrália, desvalorização da moeda indonésia e aumento dos custos de produção reduziu o poder de compra dos confinadores locais e desacelerou os embarques.

Entre janeiro e junho, a Austrália exportou 265.659 bovinos vivos, volume 29% inferior às 375.466 cabeças embarcadas no mesmo período de 2025. Parte dessa redução é explicada pelo calendário religioso: como o Ramadã e o Lebaran ocorreram mais cedo em 2026, muitos animais destinados ao período festivo foram embarcados ainda no final de 2025, antecipando parte da demanda.

No entanto, segundo o Beef Central, fatores econômicos tiveram peso ainda maior na retração das exportações.

Custos maiores reduzem capacidade de compra da Indonésia

O principal desafio para os importadores indonésios tem sido o aumento do custo de aquisição dos animais australianos.

Os preços dos garrotes destinados à exportação na região de Darwin estão em torno de 430 centavos de dólar australiano por quilo de peso vivo, ante aproximadamente 345 centavos registrados no mesmo período do ano passado.

Ao mesmo tempo, os confinadores da Indonésia continuam sujeitos aos limites impostos pelo governo para o preço de venda do gado terminado, enquanto enfrentam custos mais elevados com ração e combustível.

Outro fator importante é a desvalorização da rupia. Como os bovinos importados são negociados em dólares americanos, a perda de valor da moeda indonésia aumentou significativamente o custo da reposição para os compradores locais.

Segundo fontes ouvidas pelo Beef Central, esse cenário dificultou a comercialização dos animais importados meses atrás, levando alguns compradores a conceder descontos e até buscar prazos maiores de pagamento diante do ritmo mais lento das vendas e do aperto no fluxo de caixa.

Indonésia segue como principal destino

Apesar da redução no volume, a Indonésia permaneceu como principal mercado para os bovinos vivos australianos.

Nos seis primeiros meses do ano, o país importou 204.526 cabeças, respondendo por 77% de todas as exportações australianas de bovinos vivos no período.

Outros destinos relevantes foram as Filipinas, com 16.314 cabeças, a Turquia, com 11.599, e a China, com 8.007 animais. Já o Vietnã praticamente desapareceu do mercado neste ano. Desde janeiro, quando importou apenas 2.004 cabeças, não foram registrados novos embarques para o país.

Mercado doméstico sustenta preços na Austrália

Mesmo com a demanda mais fraca da Indonésia, os preços dos animais para exportação voltaram a subir durante julho no norte da Austrália.

Segundo o Beef Central, a maior concorrência entre recriadores, invernistas e confinamentos australianos pela compra de bovinos em Queensland, aliada às boas condições das pastagens, reduziu a oferta disponível para exportação e elevou temporariamente as cotações. Muitos produtores optaram por reter os animais no campo para ganhar peso antes da venda.

Fontes do setor afirmam que parte dos bovinos que normalmente abasteceria os embarques via Darwin está sendo absorvida pelo mercado doméstico, aumentando a disputa pelos animais disponíveis no Território do Norte.

Nos últimos dias, entretanto, as cotações começaram a recuar novamente para níveis próximos de 430 centavos por quilo de peso vivo, à medida que o mercado busca um equilíbrio capaz de estimular tanto a oferta de animais pelos pecuaristas quanto a demanda dos confinadores indonésios, pressionados pelo aumento dos custos.

Próximo teste será a demanda para o Ramadã de 2027

Embora os confinadores da Indonésia continuem realizando compras em ritmo moderado, o mercado acompanha com atenção o período de encomendas para o Ramadã e o Lebaran de 2027.

A expectativa é que a demanda por bovinos destinados ao confinamento volte a ganhar força a partir de outubro, quando normalmente começam as compras para abastecer o consumo durante as festividades religiosas, previstas para ocorrer entre o início de fevereiro e o começo de março do próximo ano.

Fonte: Beef Central, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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