

Um projeto voltado à produção e exportação de carne premium com rastreabilidade integral pretende agregar valor à cadeia da bovinocultura sul-mato-grossense. Batizada de Monarca Premium, a iniciativa prevê desde a identificação eletrônica dos animais ainda na fase de cria até o processamento industrial e a comercialização de cortes especiais e charque para o mercado nacional e internacional.
Segundo o empresário e pré-candidato a deputado federal, Carlos Bernardo, o projeto está em fase de estruturação e inclui a formação de uma equipe multidisciplinar, composta por especialistas em plantas frigoríficas, sanidade animal, processamento de carnes, refrigeração e rastreabilidade.
A proposta se apoia em um cenário favorável para o Estado. Dados da Semadesc/MS, com base no IBGE, apontam que, em 2022, a agropecuária respondeu por 22,8% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul, enquanto a indústria representou 22,9%, registrando crescimento anual de 4,3%. Já o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) deve contar ainda para este ano com orçamento de R$ 19,7 bilhões, dos quais Mato Grosso do Sul deverá receber cerca de 24% dos recursos, o equivalente a aproximadamente R$ 3,1 bilhões.
O projeto prevê utilizar instrumentos de financiamento como o FCO e o Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO) para viabilizar a implantação da unidade de processamento.
“Nossa proposta é estruturar toda a cadeia produtiva desde a origem do animal. Vamos trabalhar com rastreabilidade completa, protocolos sanitários e processamento próprio para entregar um produto de alto valor agregado. A ideia é deixar de comercializar apenas matéria-prima e ampliar a participação do Estado nos mercados que exigem qualidade e controle da produção.”
O modelo prevê a compra antecipada de bezerros, acompanhamento técnico aos produtores, identificação eletrônica dos animais, período de preparação antes do abate e controle de todas as etapas até a entrega do produto final.
Para a consultora Nilde Brun, que vai avaliar a fase de estruturação do empreendimento, o projeto apresenta características pouco comuns no setor.
“Fiquei impressionada com o planejamento. O projeto contempla toda a cadeia produtiva, desde a origem do animal até a entrega da carne ao consumidor, com foco em qualidade, rastreabilidade e segurança. É uma proposta alinhada às exigências dos mercados internacionais e que pode contribuir para agregar valor à produção sul-mato-grossense.”
Ela destaca que a iniciativa também dialoga com as oportunidades logísticas abertas pela Rota Bioceânica.
“Hoje Mato Grosso do Sul já é referência na produção de carne. A proposta da Monarca Premium busca avançar para uma etapa de maior agregação de valor, aproveitando a logística da Rota Bioceânica e atendendo mercados que demandam produtos rastreados e de maior valor agregado.”
Na avaliação de Carlos Bernardo, o diferencial da Monarca Premium está justamente em inverter a lógica histórica da economia sul-mato-grossense. Em vez de exportar apenas matéria-prima, o projeto aposta na industrialização dentro do Estado, agregando valor à carne produzida em Mato Grosso do Sul antes de chegar aos mercados consumidores.
“Quando transformamos aqui aquilo que produzimos, geramos empregos, tecnologia, renda e arrecadação que hoje acabam ficando em outros lugares. Nossa proposta é fazer com que Mato Grosso do Sul deixe de vender apenas o boi e passe a vender um produto premium, rastreado e preparado para os mercados mais exigentes do mundo”, afirmou.
A proposta está alinhada ao conceito de fortalecer a industrialização regional e ampliar o processamento local da produção agropecuária, gerando maior valor econômico dentro do Estado.
A expectativa é que o empreendimento impulsione uma nova etapa da cadeia produtiva da carne em Mato Grosso do Sul, aproveitando a logística da Rota Bioceânica para ampliar a competitividade das exportações. Além de fortalecer frigoríficos, fornecedores, transportadoras e produtores rurais, a iniciativa busca posicionar o Estado como referência em carne premium de alto valor agregado, transformando um dos maiores patrimônios da economia sul-mato-grossense em uma plataforma de industrialização, inovação e geração de riqueza dentro do próprio território.
Além da carne premium, o projeto prevê uma unidade destinada à produção de charque, permitindo o aproveitamento integral da matéria-prima e diversificando o portfólio de produtos.
Fonte: Diário MS News.