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22 de outubro de 2026

Filé-mignon custa 38% mais no Brasil do que na Argentina, aponta levantamento

O filé-mignon comercializado no Brasil custa, em média, 38% mais do que o mesmo corte vendido na Argentina, segundo levantamento realizado pelo economista Juan Manuel Garzón, do Instituto de Estudos sobre a Realidade Argentina e Latino-Americana (IERAL), ligado à Fundación Mediterránea.

A pesquisa, divulgada em outubro de 2026 pelos jornais argentinos Clarín e La Nación, comparou os preços da carne bovina em nove países e revelou diferenças importantes entre os mercados, dependendo do corte analisado.

Apesar do preço mais elevado do filé-mignon brasileiro, o estudo mostrou que, considerando um conjunto de cortes equivalentes, a carne bovina no Brasil apresenta preços aproximadamente 10% inferiores aos registrados na Argentina.

O Paraguai foi o único outro país da pesquisa com preços inferiores aos argentinos, com uma diferença média de 19%.

Brasil tem carne mais barata, mas nem todos os cortes seguem essa tendência

O levantamento considerou preços publicados em lojas virtuais de supermercados e estabelecimentos especializados da Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Chile, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

Os valores foram convertidos para dólares por quilo, com impostos incluídos, e complementados com informações de fontes estatísticas oficiais e do setor.

Para permitir comparações mais adequadas, o estudo utilizou um índice baseado nos cortes disponíveis simultaneamente em cada país e na Argentina.

No caso brasileiro, foram encontrados preços menores para diversos cortes, incluindo contrafilé, alcatra e fraldinha, considerando as equivalências utilizadas pelos pesquisadores.

Entretanto, a situação se inverteu em determinados produtos. O filé-mignon brasileiro apresentou preço 38% superior ao argentino.

A carne moída também registrou diferenças relevantes. A versão comum custava 73% mais no Brasil, enquanto a carne moída especial apresentava preço 10% superior ao observado na Argentina.

Esses resultados mostram que a diferença média entre os mercados não se aplica igualmente a todos os cortes.

Segundo Garzón, a posição da Argentina no levantamento varia conforme o produto analisado. A vantagem de preços pode aumentar, diminuir ou até se inverter dependendo do corte e da categoria de carne.

Estados Unidos têm carne bovina 82% mais cara que a Argentina

A comparação internacional revelou diferenças ainda maiores entre a Argentina e países da América do Norte e da Oceania.

Nos Estados Unidos, os preços da carne bovina foram, em média, 82% superiores aos argentinos, considerando os cortes equivalentes incluídos no levantamento.

A diferença foi especialmente expressiva no filé-mignon. Enquanto o quilo do corte custava aproximadamente US$ 22,80 na Argentina, o preço americano alcançava US$ 59,10, uma diferença de 159%.

Outros cortes também apresentaram diferenças elevadas. Nos Estados Unidos, os preços do contrafilé e de cortes equivalentes ao bife ancho argentino superaram os valores locais em mais de 100%.

No Canadá, a carne bovina apresentou preços 59% superiores aos argentinos. Na Austrália e na Nova Zelândia, as diferenças ficaram entre 48% e 50%.

Entre os países sul-americanos, o Uruguai registrou preços aproximadamente 10% superiores aos da Argentina, enquanto o Chile apresentou diferença de 17%.

A comparação reforça que os preços da carne bovina variam significativamente entre os mercados internacionais, tanto em termos gerais quanto na valorização de cortes específicos.

Preço mais baixo não significa necessariamente carne mais acessível

Embora a pesquisa permita comparar os preços de varejo em diferentes países, os resultados não indicam, por si só, onde a carne bovina é mais acessível para a população.

Isso porque o levantamento não considera diretamente o poder de compra dos consumidores, os salários ou a proporção da renda familiar destinada à alimentação.

O estudo também não representa necessariamente os preços praticados em todos os estabelecimentos de cada país, já que utiliza uma amostra de supermercados e lojas especializadas.

Outro ponto importante é que as diferenças foram calculadas com base nos cortes equivalentes disponíveis em cada mercado, e não a partir de uma cesta idêntica de produtos comercializados em todos os países.

Assim, os resultados devem ser interpretados como uma comparação internacional dos preços pesquisados em outubro de 2026, e não como uma medida definitiva do custo da carne para todos os consumidores.

Ainda assim, o levantamento chama a atenção para uma característica do mercado brasileiro: mesmo apresentando preços médios de carne bovina inferiores aos argentinos, o país registra valores mais elevados em cortes específicos, como o filé-mignon.

Isso evidencia como a valorização dos diferentes cortes pode variar entre países, mostrando que a comparação dos preços da carne bovina exige uma análise mais detalhada do que apenas o preço médio por quilo.

Fontes:

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