
O filé-mignon comercializado no Brasil custa, em média, 38% mais do que o mesmo corte vendido na Argentina, segundo levantamento realizado pelo economista Juan Manuel Garzón, do Instituto de Estudos sobre a Realidade Argentina e Latino-Americana (IERAL), ligado à Fundación Mediterránea.
A pesquisa, divulgada em outubro de 2026 pelos jornais argentinos Clarín e La Nación, comparou os preços da carne bovina em nove países e revelou diferenças importantes entre os mercados, dependendo do corte analisado.
Apesar do preço mais elevado do filé-mignon brasileiro, o estudo mostrou que, considerando um conjunto de cortes equivalentes, a carne bovina no Brasil apresenta preços aproximadamente 10% inferiores aos registrados na Argentina.
O Paraguai foi o único outro país da pesquisa com preços inferiores aos argentinos, com uma diferença média de 19%.
O levantamento considerou preços publicados em lojas virtuais de supermercados e estabelecimentos especializados da Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Chile, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.
Os valores foram convertidos para dólares por quilo, com impostos incluídos, e complementados com informações de fontes estatísticas oficiais e do setor.
Para permitir comparações mais adequadas, o estudo utilizou um índice baseado nos cortes disponíveis simultaneamente em cada país e na Argentina.
No caso brasileiro, foram encontrados preços menores para diversos cortes, incluindo contrafilé, alcatra e fraldinha, considerando as equivalências utilizadas pelos pesquisadores.
Entretanto, a situação se inverteu em determinados produtos. O filé-mignon brasileiro apresentou preço 38% superior ao argentino.
A carne moída também registrou diferenças relevantes. A versão comum custava 73% mais no Brasil, enquanto a carne moída especial apresentava preço 10% superior ao observado na Argentina.
Esses resultados mostram que a diferença média entre os mercados não se aplica igualmente a todos os cortes.
Segundo Garzón, a posição da Argentina no levantamento varia conforme o produto analisado. A vantagem de preços pode aumentar, diminuir ou até se inverter dependendo do corte e da categoria de carne.
A comparação internacional revelou diferenças ainda maiores entre a Argentina e países da América do Norte e da Oceania.
Nos Estados Unidos, os preços da carne bovina foram, em média, 82% superiores aos argentinos, considerando os cortes equivalentes incluídos no levantamento.
A diferença foi especialmente expressiva no filé-mignon. Enquanto o quilo do corte custava aproximadamente US$ 22,80 na Argentina, o preço americano alcançava US$ 59,10, uma diferença de 159%.
Outros cortes também apresentaram diferenças elevadas. Nos Estados Unidos, os preços do contrafilé e de cortes equivalentes ao bife ancho argentino superaram os valores locais em mais de 100%.
No Canadá, a carne bovina apresentou preços 59% superiores aos argentinos. Na Austrália e na Nova Zelândia, as diferenças ficaram entre 48% e 50%.
Entre os países sul-americanos, o Uruguai registrou preços aproximadamente 10% superiores aos da Argentina, enquanto o Chile apresentou diferença de 17%.
A comparação reforça que os preços da carne bovina variam significativamente entre os mercados internacionais, tanto em termos gerais quanto na valorização de cortes específicos.
Embora a pesquisa permita comparar os preços de varejo em diferentes países, os resultados não indicam, por si só, onde a carne bovina é mais acessível para a população.
Isso porque o levantamento não considera diretamente o poder de compra dos consumidores, os salários ou a proporção da renda familiar destinada à alimentação.
O estudo também não representa necessariamente os preços praticados em todos os estabelecimentos de cada país, já que utiliza uma amostra de supermercados e lojas especializadas.
Outro ponto importante é que as diferenças foram calculadas com base nos cortes equivalentes disponíveis em cada mercado, e não a partir de uma cesta idêntica de produtos comercializados em todos os países.
Assim, os resultados devem ser interpretados como uma comparação internacional dos preços pesquisados em outubro de 2026, e não como uma medida definitiva do custo da carne para todos os consumidores.
Ainda assim, o levantamento chama a atenção para uma característica do mercado brasileiro: mesmo apresentando preços médios de carne bovina inferiores aos argentinos, o país registra valores mais elevados em cortes específicos, como o filé-mignon.
Isso evidencia como a valorização dos diferentes cortes pode variar entre países, mostrando que a comparação dos preços da carne bovina exige uma análise mais detalhada do que apenas o preço médio por quilo.
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